quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Simulado com Interpretação de Texto.


A velha contrabandista

Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira mon-
tada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega – tudo malandro
velho – começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar.
A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
 – Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a
senhora leva nesse saco?
 A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no
odontólogo e respondeu:
 – É areia!
 Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da
lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia.
Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com
o saco de areia atrás.
 Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com
muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco
atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que
era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha
e, todas  as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
 – Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de con-
trabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
 – Mas no saco só tem areia! – insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
 – Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto
nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por
aqui todos os dias?
 – O senhor promete que não “espaia” ? – quis saber a velhinha.
 – Juro – respondeu o fiscal.
 – É lambreta.
1.     Que tipo de linguagem está sendo empregada na frase: “– O senhor promete que não “espaia” ?”
a)     Formal.
b)    Informal.
c)     Jornalística.
d)    Policial.

2.     Qual é a grande surpresa da história?

a)     O policial sabia que ela era gente do bem.
b)    O policial sabia que ela praticava o contrabando.
c)     O policial sabia que ela estava se divertindo ao andar de lambreta.
d)    O policial sabia que ela estava paquerando-o.

3.     O que a velhinha levava no saco para despitar o guarda?

a)     Carvão.
b)    Leite.
c)     Feijão.
d)    Areia.

4.     Um dos itens abaixo traduz melhor a expressão "BOCA SUJA".
a) Indivíduo que tem mal hálito.
b) Criança que come terra.
c) Indivíduo que chama muito palavrão ou maldiz os outros.
d) Indivíduo com muitos dentes cariados.
e) Sujeito que reclama de tudo.

5.     Transpondo para a voz passiva a oração “O faro dos cães guiava os caçadores”, obtém-se a forma verbal:

a) guiava-se
b) ia guiando
c) guiavam
d) eram guiados
e) foram guiados

6.     Se passarmos para a voz ativa a frase "O francês da Williams foi derrotado pela chuva", mantendo tempo e modo verbais, o verbo da frase resultante deverá assumir a forma:

a)     havia derrotado.
b)    derrotara.
c)     derrotou.
d)    derrotaria.
e)     derrotava.

7.     Na frase: “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase o sujeito de “fez”?

a) o prêmio;
b) o jogador;
c) que;
d) o gol;
e) recebeu.

8.     A oração que apresenta complemento nominal é:

            a) Os pobres necessitam de ajuda.
            b) Sejamos úteis à sociedade.
            c) Os pedidos foram feitos por nós.
            d) Os homens aspiram à paz.
            e) A leitura amplia nossos conhecimentos.

9.     .................... anos que não se colhem bons frutos: ...................... pragas a assolarem os pomares. Qual é a opção correta?

a) Faz – deve haver
b) Fazem – deve haver
c) Fazem – devem haver
d) Faz – devem de haver
e) Faz – devem haverem

10. Assinale a alternativa em que as formas mal ou mau estão utilizadas de acordo com a norma culta:
a) Mau agradecidas, as juízas se postaram diante do procurador, a exigir recompensas.
b) Seu mal humor ultrapassa os limites do suportável.
c) Mal chegou a dizer isso, e tomou um sopapo que o lançou longe.
d) As respostas estavam mau dispostas sobre a mesa, de forma que ninguém sabia a sequência correta.
e) Então, mau ajeitada, desceu triste para o salão, sem perceber que alguém a observava.








Simulado com Interpretação de Texto


Leia o texto e responda o que se pede:

O Conto da Mentira

Todo dia Felipe inventava uma mentira. “Mãe, a vovó tá no telefone!”. A mãe largava a louça na pia e corria até a sala. Encontrava o telefone mudo. O garoto havia inventado morte do cachorro, nota dez em matemática, gol de cabeça em campeonato de rua.
A mãe tentava assustá-lo: “Seu nariz vai ficar igual ao do Pinóquio!”. Felipe ria na cara dela:  “Quem tá mentindo é você! Não existe gente de madeira!”.
O pai de Felipe também conversa com ele: “Um dia você contará uma verdade e ninguém acredi-
tará!” Felipe ficava pensativo. Mas, no dia seguinte. Então, aconteceu o que seu pai alertara.
Felipe assistia a um programa na TV. A apresentadora ligou para o número do telefone da casa dele. Felipe tinha sido sorteado. O prêmio era uma bicicleta: “É verdade, mãe! A moça quer falar com você no telefone pra combinar a entrega da bicicleta.”
“É verdade!”.
A mãe de Felipe fingiu não ouvir. Continuou preparando o jantar em silêncio. Resultado: Felipe deixou de ganhar o prêmio. Então ele começou a reduzir suas mentiras. Até que um dia deixou de contá-las. Bem, Felipe cresceu e tornou-se um escritor. Voltou a criar histórias.
Agora sem culpa e sem medo. No momento está escrevendo um conto. É a história de um menino que deixa de ganhar uma bicicleta porque mentia...
AUGUSTO, Rogério. FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo. Miniconto. Folhinha 14 jun. 2003. F8 C1 -1.


1.     A intenção comunicativa do texto é

(A) contar uma história fictícia.
(B) emocionar através de versos.
(C) ensinar a escrever um conto.
(D) persuadir o leitor.

2.     O uso frequente das “aspas” no texto, serve para

(A) acrescentar explicações.
(B) marcar a fala dos personagens.
(C) explicar as etapas do procedimento.
(D) dar uma pausa nas frases.

3.     No trecho: “A apresentadora ligou para o número do telefone da casa dele. A quem se refere o termo
dele?

(A) Ao narrador.
(B) Ao pai.
(C) Ao filho.
(D) Ao Pinóquio.

4.     Na oração: “Então ele começou a reduzir suas mentiras.”, a palavra grifada pode ser
substituída por

(A) aumentar.
(B) diminuir.
(C) estabilizar.
(D) terminar.

5.     Felipe não foi contemplado com o prêmio porque
(A)  sua mãe não entendeu o telefonema.
(B)  suas mentiras contribuíram muito.
(C)  falava sempre a verdade para todos.
(D)  ele não acreditou no telefonema.

6.     Um dos itens abaixo traduz melhor a expressão "BOCA SUJA".
a) Indivíduo que tem mal hálito.
b) Criança que come terra.
c) Indivíduo que chama muito palavrão ou maldiz os outros.
d) Indivíduo com muitos dentes cariados.
e) Sujeito que reclama de tudo.

7.     Transpondo para a voz passiva a oração “O faro dos cães guiava os caçadores”, obtém-se a forma verbal:

a) guiava-se
b) ia guiando
c) guiavam
d) eram guiados
e) foram guiados

8.     Se passarmos para a voz ativa a frase "O francês da Williams foi derrotado pela chuva", mantendo tempo e modo verbais, o verbo da frase resultante deverá assumir a forma:

a)     havia derrotado.
b)    derrotara.
c)     derrotou.
d)    derrotaria.
e)     derrotava.

9.     Na frase: “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase o sujeito de “fez”?

a) o prêmio;
b) o jogador;
c) que;
d) o gol;
e) recebeu.

10.  A oração que apresenta complemento nominal é:

            a) Os pobres necessitam de ajuda.
            b) Sejamos úteis à sociedade.
            c) Os pedidos foram feitos por nós.
            d) Os homens aspiram à paz.
            e) A leitura amplia nossos conhecimentos.






Simulado com Interpretação de Texto


Leia o texto para responder todas as questões corretamente.

“Era um pobre diabo caminhando para os setenta anos, antipático, cabelo branco, curto e duro, como uma escova, barba e bigode do mesmo teor (jeito); muito macilento (sem gordura), com uns óculos redondos que lhe aumentavam o tamanho da pupila e davam-lhes à cara uma expressão de abutre, perfeitamente de acordo com o seu nariz adunco (afilado) e com sua boca sem lábios; viam-se-lhe ainda todos os dentes, mas tão gastos que pareciam limados até o meio. Andava sempre de preto, com um guarda-chuva debaixo do braço e um chapéu de Braga enterrado nas orelhas”.

(AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. Rio de Janeiro: Tecnoprint S.A., s. d. p. 22).
1.     O texto está em forma de

(A) narrativa.
(B) descrição.
(C) poesia.
(D) instrução.

2.     Como o texto descreve a personagem?

(A) Somente psicologicamente.
(B) Apenas fisicamente.
(C) Fisicamente e psicologicamente.
(D) De forma superficial.

3.     Em “... à cara uma expressão de abutre.” A palavra destacada é um tipo de comparação

(A) figurada.
(B) criativa.
(C) real.
(D) errada.

4.     No trecho: “barba e bigode do mesmo teor; muito macilento...” As palavras que estão em negrito
podem ser substituídas por

(A) estilo e pálido.
(B) gabarito e forte.
(C) igual e magro.
(D) tamanho e esbelto.

5.     As palavras em negrito no texto é marca de linguagem

(A) informal.
(B) científica.
(C) regionalista.
(D) culta-formal.

6.     Se alguém chama um sujeito de "PÉ FRIO", essa expressão idiomática significa o que?

a) Que ele não usa meias.
b) Que ele prefere andar descalço.
c) Que ele tem mau cheiro nos pés.
d) Que ele é uma pessoa que supostamente atrai a má sorte.
e) Que ele tem pés que suam tanto que molha o chão.

Leia o texto e responda o que se pede:
    Eu escrevi este livro para você, lembrando-me do tempo em que eu só ouvia: “Cala a boca, menino!”, “Para quieto, menino!”, “Vá pro seu quarto, menino, que isso não é conversa pra criança!”. E coisas do tipo. (…)
    Se você quiser saber mais coisas sobre mim, eu informo que nasci em Santos, em 1942, e moro em São Paulo desde 1961, onde fiz faculdade, fui ator de teatro, editor, jornalista e publicitário. Mas, hoje eu não sou mais nada disso: desde 1983 eu sou só o seu escritor.

BANDEIRA, Pedro. “Mais respeito, eu sou criança!”. São Paulo: Moderna, 2009.

7.     No trecho “Cala a boca, menino!”, “Para quieto, menino!”, os verbos sublinhados indicam:

a) uma certeza
b) um conselho
c) uma ordem
d) um desejo

8.     Registra-se emprego de verbo no imperativo na frase:
a) “Eu escrevi este livro para você […]”.
b) “Vá pro seu quarto, menino, que isso não é conversa pra criança!”.
c) “Se você quiser saber mais coisas sobre mim […]”
d) “Mas, hoje eu não sou mais nada disso […]”
9.     Na frase: “Eu escrevi este livro para você”, qual é o tipo de sujeito?

a)     Sujeito composto.
b)    Sujeito indeterminado.
c)     Sujeito oculto.
d)    Sujeito simples.

10.  .................... anos que não se colhem bons frutos: ...................... pragas a assolarem os pomares. Qual é a sequência correta?
a) Faz – deve haver
b) Fazem – deve haver
c) Fazem – devem haver
d) Faz – devem de haver
e) Faz – devem haverem


Simulado com Interpretação de Texto


Leia o texto e responda o que se pede:

Haverá água quando a gente ficar velho?

O meu amigo Marcelo está super preocupado. É que ele leu que, do jeito como a gente trata a água do planeta, pode ser que no futuro, quando ele ficar velho, não exista mais nenhuma gota de água.
De água limpa pelo menos...
Eu não entendo muito sobre esse assunto, mas acho que ele tem razão de ficar preocupado. Você já andou por ai e viu como as pessoas desperdiçam água.
É um tal de ficar lavando carro com mangueira ligada o tempo todo ou então lavando o quintal, como se o chão fosse um lugar que devesse ficar limpo como um prato em que a gente fosse comer.
O pior é quando você passa pelas avenidas e vê um monte de porcaria que as fábricas jogam na água, como se os rios fossem assim uma enorme privada. (...)
Essas pessoas, especialmente as pessoas já grandinhas, parecem que não estão nem um pouco preocupadas com o mundo que vai ficar para a gente...
Eu não quero um mundão seco e com um monte de cocô no lugar dos rios! Já imaginou?

 Vida da gente. Belo Horizonte: Formato, 1999.
1.     Marcelo está preocupado com

(A) a possível falta d’água no futuro.
(B) o preço da água.
(C) se ele vai ter água.
(D) a água que ele desperdiça.

2. Qual trecho do texto comprova que os personagens são amigos?

(A) “O que é que as pessoas estão pensando?”
(B) “De água limpa pelo menos”.
(C) “O meu amigo Marcelo está super preocupado”.
(D) “Eu não quero um mundão seco...”

3. No trecho: “Haverá água quando a gente ficar velho?”. A pontuação no final do trecho indica

(A) uma curiosidade.
(B) uma dúvida.
(C) um pensamento.
(D) um questionamento.

4. A frase que indica uma opinião da narradora é

(A) “O meu amigo Marcelo está super preocupado.”
(B) “mas acho que ele tem razão de ficar preocupado.”
(C) “De água limpa pelo menos...”
(D) “É que ele leu que, do jeito como a gente trata a água...”

5. Na frase: “É que ele leu que, do jeito como a gente trata a água do planeta, pode ser que no futuro, quando ele ficar velho, não exista mais nenhuma gota de água”, o termo grifado é:

a)     Linguagem coloquial - informal.
b)    Linguagem formal.
c)     Linguagem técnica.
d)    Linguagem humorística.

6. Na frase: É que ele leu que, do jeito como a gente trata a água do planeta, pode ser que no futuro, quando ele ficar velho, não exista mais nenhuma gota de água”, o termo grifado pode ser substituído corretamente por:

a)     [...] do jeito como a nois trata a água do planeta [...]
b)    [...] do jeito como a gente tratamos a água do planeta [...]
c)     [...] do jeito como a nós trata a água do planeta [...]
d)    [...] do jeito como nós tratamos a água do planeta [...]

7. Na palavra “seco”  grifada no texto, temos:

a)     4 letras, 5 fonemas.
b)    4 letras, 4 fonemas.
c)     5 fonemas, 5 letras.
d)    3 fonemas, 5 letras.

8. Se alguém chama nossa mãe de "MÃE CORUJA", o que quis dizer com essa expressão idiomática?

a) Que ela parece ser bem velha.
b) Que ela anda sempre mal vestida.
c) Que ela tem olhos grandes, enormes.
d) Que ela protege os filhos de forma exagerada.
e) Que ela é uma pessoa muito triste.

9. Na frase: “O pior é quando você passa pelas avenidas e vê um monte de porcaria que as fábricas jogam na água, como se os rios fossem assim uma enorme privada. (...)”, o termo grifado pode ser substituído por:

a)     Pouca.
b)    Muita.
c)     Não.
d)    Nunca.

10. As palavras “um mundão – última linha” dá ideia de:

a)     Grau aumentativo do substantivo.
b)    Grau diminutivo do substantivo.
c)     Grau relativo do substantivo.
d)    Grau comparativo do verbo.





GABARITO
1.     A
2.     C
3.     D
4.     B
5.     A
6.     D
7.     B
8.     D
9.     B
10.  A



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Interpretação de texto: Da difícil arte de redigir um telegrama.

Leia a crônica abaixo e responda às questões:

Há uma história famosa a respeito de uns parentes que tinham que comunicar, por telegrama, a uma senhora que estava viajando, o falecimento de uma irmã. Reuniram-se em volta de uma mesa e “toca” a escrever.


Primeiro, foi o primo quem redigiu a nota. Depois de alguns minutos, mostrou o resultado de seu trabalho: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE CORRENDO. TUA IRMÃ MORREU”. Todos leram e um dos tios fez o seguinte comentário:
_ Eu acho que não está bom. Afinal de contas, vocês sabem que ela é cardíaca, está viajando e um telegrama assim pode ser um choque.
Todos concordaram, inclusive um outro primo afastado que era meio sovina e achou o telegrama muito longo:
_ Depois, com o preço que se paga por palavra, isso não é mais um telegrama, é um telegrana.

Ninguém riu do infante trocadilho, mesmo porque velório não é lugar para gargalhadas. Foi a vez de o cunhado tentar redigir uma forma mais amena, que não assustasse a senhora em passeio. Sentou-se e escreveu: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE CORRENDO. SUA IRMÃ PASSANDO MUITO MAL”. Novamente o telegrama não foi aprovado. Um irmão psicólogo observou:
_ Não sejamos infantis. Se ela está viajando pela Europa e recebe esta notícia, não vai acreditar na história “passando muito mal”. Sobretudo com “volte correndo” no meio.

_ Também concordo – falou o primo afastado sempre pensando no outro. Então, o genro aproximou-se:
_ Acho que tenho a forma ideal. Pegou o bloco e rabiscou rapidamente: “INTERROMPA VIAGEM E VOLTE DEVAGAR. TUA IRMÃ PASSANDO MAIS OU MENOS”. Todos examinaram atentamente o telegrama. A filha reclamou:
_ Vocês acham que mamãe é boba? Se a gente escrever que a titia está passando mais ou menos e que ela pode voltar devagar, ela já vai adivinhar que todas estas precauções são pelo fato de ela ser cardíaca e que, na realidade, a irmã dela morreu!

_ Concordo plenamente _ disse o facultativo da família que era também sobrinho da senhora em questão. Resolveu, como médico, escrever o telegrama: “PACIENTE FORA DE PERIGO. VOLTE ASSIM QUE PUDER. PACIENTE TUA IRMÔ.
De todas a fórmulas até então apresentadas, esta foi a que causou mais revolta.
_ Que “troço” mais infantil – gritou o netinho que passava pela sala no momento em que a mensagem era lida. Puseram o menino para fora da sala, mas, no íntimo, a família concordava com ele.
_ Não, isso não. Se a gente manda dizer que ela está fora de perigo, para que vamos pedir que ela interrompa a viagem? – argumentou o tio.

_ Também acho – responderam todos num coro de aprovação. O filho mais velho resolveu tentar. Pensou bem, ponderou, sentou-se, molhou a ponta dos lábios com a língua e caprichou. “SE POSSÍVEL, VOLTE. TUA IRMÃ SAUDOSA. PASSANDO QUASE MAL. POR FAVOR, ACREDITE. CUIDADO CORAÇÃO. VENHA LOGO. SAUDADES. SURPRESA”.
_ Realmente, esse bate todos os recordes! _ disse uma nora professora. Em primeiro lugar, não é “se possível”, ela tem que voltar mesmo. Em segundo lugar, “saudosa”, tem duplo sentido. Em terceiro lugar, ninguém passa “quase mal”. Ou passa bem ou passa mal. “Quase mal” e “quase bem” é a mesma coisa. “Por favor, acredite” é um insulto à família toda. Ninguém aqui é mentiroso. Depois “cuidado coração” não fica claro. Como telegrama não tem vírgula, ela pode pensar que a gente está dizendo “cuidado, coração”, já que a palavra coração também é usada como uma forma carinhosa de chamar os outros. Por exemplo: “Oi, coração, tudo bem?”. E, finalmente, a palavra “surpresa” no telegrama chega a ser requinte de crueldade. Qual é a surpresa que ela pode esperar?
_ Ela pode pensar que a titia está esperando neném _ falou um sobrinho.
_ Aos noventa anos de idade?
Abandonaram a idéia rapidamente. Seguiu-se longo período de silêncio em que a família andava de lá para cá, pensando numa solução. Pela primeira vez estavam dando-se conta de que não era fácil assim mandar um telegrama. Serviu-se o costumeiro cafezinho, enquanto cada qual do seu lado procurava uma maneira de escrever para a senhora em viagem, sem que isto tivesse conseqüência desastrosas. De repente, o irmão psicólogo explodiu num grito “eurekiano”:
_ Achei!
Escreveu febrilmente no papel. O telegrama passou de mão em mão e foi finalmente aprovado por todo mundo. Seu texto dizia:

“SIGA VIAGEM. DIVIRTA-SE. TUA IRMÃ ESTÁ ÓTIMA”.

Jô Soares - Da difícil arte de redigir um telegrama. “O GLOBO” 26.10.1994


1. No século XX, os meio de comunicação avançaram muito em relação à tecnologia. O texto de Jô Soares apresenta qual desses meios? R. O telegrama.

2. Com que frequência é utilizado o telegrama hoje? R. Raras vezes.

3.  Quais são as principais características desse meio de comunicação? R. Rapidez. Objetividade.

4. Por que motivo todos se preocupavam com a forma como a mensagem seria redigida? R. Para não atrapalhar a viagem da irmã, em ocasião do seu falecimento.

5. Qual das personagens utiliza um estilo didático (ensinamento) ao explicar detalhadamente a inconveniência de um dos telegramas? R. O filho mais velho, pois foi elogiado pela professora.

6. Que membro da família pode ser considerado o mais indicado para avaliar a reação emocional da senhora a quem se queria enviar o telegrama? R. Os mais próximos.

7. O telegrama aprovado por todos não continha a informação que a família precisava comunicar. O que isso pode revelar quanto ao processo de elaboração da mensagem? R. Todos temos ideias e opiniões diferentes.

PROVA IREC

  TRIMESTRE 2º Professor MARCONILDO VIEGAS Componente Curricular LST Área de Co...