quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Interpretação de Texto.


Leia o texto e responda o que se pede:
Macacos me mordam
Fernando Sabino
Morador de uma cidade do interior de Minas me deu conhecimento do fato: diz ele que há tempos um cientista local passou telegrama para outro cientista, amigo seu, residente em Manaus:
“Obsequio providenciar remessa 1 ou 2 macacos”.
Necessitava ele de fazer algumas inoculações em macaco, animal difícil de ser encontrado na localidade. Um belo dia, já esquecido da encomenda, recebeu resposta:
“Providenciada remessa 600 restante seguirá oportunamente”.
Não entendeu bem: o amigo lhe arranjara apenas um macaco, por seiscentos cruzeiros? Ficou aguardando, e só foi entender quando o chefe da estação veio comunicar-lhe:
– Professor, chegou sua encomenda. Aqui está o conhecimento para o senhor assinar. Foi preciso trem especial.
E acrescentou:
– É macaco que não acaba mais!
Ficou aterrado: o telégrafo errara ao transmitir “1 ou 2 macacos”, transmitira “1002 macacos”! E na estação, para começar, nada menos que seiscentos macacos engaiolados aguardavam desembaraço. Telegrafou imediatamente ao amigo:
“Pelo amor Santa Maria Virgem suspenda remessa restante”.
Ia para a estação, mas a população local, surpreendida pelo acontecimento, já se concentrava ali, curiosa, entusiasmada, apreensiva:
– O que será que o professor pretende com tanto macaco?
E a macacada, impaciente e faminta, aguardava destino, empilhada em gaiolas na plataforma da estação, divertindo a todos com suas macaquices. O professor não teve coragem de aproximar-se: fugiu correndo, foi se esconder no fundo de sua casa. A noite, porém, o agente da estação veio desentocá-la:
– Professor, pelo amor de Deus, vem dar um jeito naquilo.
O professor pediu tempo para pensar. O homem coçava a cabeça, perplexo:
– Professor, nós todos temos muita estima e muito respeito pelo senhor, mas tenha paciência: se o senhor não der um jeito eu vou mandar trazer a macacada para sua casa.
– Para minha casa? Você está maluco?
O impasse prolongou-se ao longo de todo o dia seguinte. Na cidade não se comentava outra coisa, e os ditos espirituosos circulavam:
– Macacos me mordam!
– Macaco, olha o teu rabo.
A noite, como o professor não se mexesse, o chefe da estação convocou as pessoas gradas do lugar: o prefeito, o delegado, o juiz.
– Mandar de volta por conta da prefeitura?
– A prefeitura não tem dinheiro para gastar com macacos.
– O professor muito menos.
– Já estão famintos, não sei o que fazer.
– Matar? Mas isso seria uma carnificina!
– Nada disso – ponderou o delegado: – Dizem que macaco guisado é um bom prato…
Ao fim do segundo dia, o agente da estação, por conta própria, não tendo outra alternativa, apelou para o último recurso – o trágico, o espantoso recurso da pátria em perigo: soltar os macacos. E como os habitantes de Leide durante o cerco espanhol, soltando os diques do mar do Norte para salvar a honra da Holanda, mandou soltar os macacos. E os macacos foram soltos! E o mar do Norte, alegre e sinistro, saltou para a terra com a braveza dos touros que saltam para a arena quando se lhes abre o curral – ou como macacos saltam para a cidade quando se lhes abre a gaiola. Porque a macacada, alegre e sinistra, imediatamente invadiu a cidade em pânico. Naquela noite ninguém teve sossego. Quando a mocinha distraída se despia para dormir, um macaco estendeu o braço da janela e arrebatou-lhe a camisola. No botequim, os fregueses da cerveja habitual deram com seu lugar ocupado por macacos. A bilheteira do cinema, horrorizada, desmaiara, ante o braço cabeludo que se estendeu através das grades para adquirir uma entrada. A partida de sinuca foi interrompida porque de súbito despregou-se do teto ao pano verde um macaco e fugiu com a bola 7. Ai de quem descascasse preguiçosamente uma banana! Antes de levá-la à boca um braço de macaco saído não se sabia de onde a surrupiava. No barbeiro, houve um momento em que não restava uma só cadeira vaga: todas ocupadas com macacos. E houve também o célebre macaco em casa de louças, nem um só pires restou intacto. A noite passou assim, em polvorosa. Caçadores improvisados se dispuseram a acabar com a praga – e mais de um esquivo notívago correu risco de levar um tiro nas suas esquivanças, confundido com macaco dentro da noite.
No dia seguinte a situação perdurava: não houve aula na escola pública, porque os macacos foram os primeiros a chegar. O sino da igreja badalava freneticamente desde cedo, apinhado de macacos, ainda que o vigário houvesse por bem suspender a missa naquela manhã, porque havia macaco escondido até na sacristia.
Depois, com o correr dos dias e dos macacos, eles foram escasseando. Alguns morreram de fome ou caçados implacavelmente. Outros fugiram para a floresta, outros acabaram mesmo comidos ao jantar, guisados como sugerira o delegado, nas mesas mais pobres. Um ou outro surgia ainda de vez em quando num telhado, esquálido, assustado, com bandeirinha branca pedindo paz à molecada que o perseguia com pedras. Durante muito tempo, porém, sua presença perturbadora pairou no ar da cidade. O professor não chegou a servir-se de nenhum para suas experiências. Caíra doente, nunca mais pusera os pés na rua, embora durante algum tempo muitos insistissem em visitá-la pela janela.
Vai um dia, a cidade já em paz, o professor recebe outro telegrama de seu amigo em Manaus:
“Seguiu resto encomenda”.
Não teve dúvidas: assim mesmo doente, saiu de casa imediatamente, direto para a estação, abandonou a cidade para sempre, e nunca mais se ouviu falar nele.

1.    O professor entendeu a resposta do amigo referente à encomenda?

a)    Sim, pois esperava sua encomenda como disse no telegrama.
b)    Sim, pois esperava um pouco mais da encomenda que pedira.
c)    Não, pois queria muitos macacos.
d)    Não, pois sua frase não foi perdida pela transmissão do telégrafo.
e)    Não, pois o professor não entendeu nada da resposta do amigo.

2.    Como ficou a população local com a chegada dos macacos?

a)    Ficou tranquila, como se nada tivesse acontecendo.
b)    Ficou querendo saber o porquê de tanto macaco, surpreendida.
c)    Ficou entusiasmada, porque os macacos iriam povoar a floresta.
d)    Ficou nervosa, porque o zoológico tinha muito verde.
e)    Ficou serena, pois eles iriam reproduzir mais.

3.    Ao fim do segundo dia, o agente da estação de trem apelou para um último recurso. Qual?

a)    Convocou um debate do orçamento democrático.
b)    Convocou uma reunião com o padre da igreja.
c)    Convocou uma reunião com as principais autoridades da cidade.
d)    Convocou uma festa para comemorar a vinda do restante da encomenda.
e)    Convocou um baile em homenagem ao professor cientista.


Atividade de Interpretação. Substantivo. Derivação. Composição. Elementos mórficos.


Leia o texto e responda:

Ler é a melhor solução

Você é o que você lê. Afinal, se tem uma fome que é insaciável é a minha fome de ler, fome de livro. Que, aliás, tem uma vantagem sobre as outras fomes, já que o livro não engorda. Este artigo é sobre ler. Porque para mim, as pessoas são como estantes que vão se completando à medida que empilham na memória os livros que vão lendo. E é por isso que eu digo que quando uma velha pessoa morre, o mundo perde uma biblioteca. Ler um livro é como ler uma mente, é saber o que o outro pensa. O que o autor pensa. Ler é poder. Poder construir você mesmo. Tijolo a tijolo. Ou livro a livro, para ser mais exato.
Você lê? Quanto? O quê? Eu leio o que pinta. Livros, revistas, pichações, frases de banheiro público, poesia, placa de estrada, jornal. Leio Capricho. Leio até errata. E claro que ler não é substituto para viver. Viver é uma experiência que não se substitui com livros. Mas pode ser enriquecida com as vidas que estão neles. Também não estou dizendo que você tem que virar um intelectual. Nada a ver. Intelectual é um teórico que tem medo de se colocar em prática. E eu estou falando de praticar o lido para ficar melhor. Em tudo. Na vida, na profissão, no papo, nas festas. Até no namoro.
Às vezes, a gente não lê tanto quanto deveria porque não sabe o que ler. Mas se esse é o seu caso, peça dicas. Eu sempre peço e dou. Para mim, indicar um livro é como contar a alguém de um lugar que só eu sei onde fica. Por exemplo, quando eu era pequeno li o Sítio do Pica Pau Amarelo. Que imaginação tinha Monteiro Lobato! Eu viajei nas histórias. Outro livro que me marcou foi um sobre a vida de Mayakovski, um poeta russo que viveu talvez a época mais energética da era moderna: a Revolução Soviética. Ele fazia dos cartazes de propaganda comunista uma forma de poesia. Viveu tão intensamente quanto a poesia que escrevia. Existe, ainda, Jorge Luís Borges, que era um gênio (dizia que publicava livros para se libertar deles), e Júlio Cortázar. Existe Fernando Pessoa, um homem que tinha a capacidade de escrever assumindo personalidades diferentes, chamadas de ‘heterônimos’ (o contrário de homônimos). “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente”. Isto é Fernando Pessoa. Caetano já cantou a pessoa de Pessoa em sua música.
Outra descoberta: ler é o melhor remédio. Exemplo: em 1990, eu e minha namorada nos separamos. Foi o momento mais duro de minha vida. E para não afundar, as minhas bóias foram dois livros, um de Krishnamurti, um pensador indiano, e outro chamado Alegria e Triunfo. Estou sempre comprando livros e adoro os de frases. São frases de pessoas conhecidas, artistas, escritores, atores. Tem coisas maravilhosas: “Se a sua vida é livre de erros, você não está correndo riscos suficientes”, “Amigo é um presente que você dá a você mesmo”, “Se você está querendo uma grande oportunidade, procure um grande problema”, “A melhor maneira de vencer uma tentação é ceder a ela”.
Existe Drummond, João Cabral de Mello Neto, Nelson Rodrigues, James Joyce, Paul Valéry, Thomas Mann, Sartre, Shakespeare, Ítalo Calvino. Existe romance, novela, conto, ensaio, poesia, humor, biografia. Existe livro e autor para tudo quanto é leitor. E é por isso que para mim, o analfabetismo é coisa imoral, triste e vergonhosa. Porque “se o livro é o alimento do espírito, o analfabetismo é a fome da alma”. Uma fome que mata a possibilidade das pessoas serem tudo que podem. Ler às vezes enche o saco. Às vezes dá sono. Às vezes dá bode. Mas resista, lute contra essa preguiça dos olhos. O seu cérebro vai agradecer. Afinal, as respostas estão todas ali. Você só precisa achar as perguntas.

Alexandre Gama - Publicitário e sócio da Almap/BBDO. Folha de São Paulo, 12/10/07, Cotidiano, p. 7


1.    O que, para o escritor, significa indicar um livro a alguém?

a)     Indicar um livro a alguém é como contar sobre um lugar que só ele sabe conhecer, quando se lê, viaja, entra-se em outro mundo real.
b)    Indicar um livro a alguém é como contar sobre uma pessoa real que só ele sabe conhecer, quando se lê, viaja, entra-se em outro mundo da filosofia.
c)     Indicar um livro a alguém é como contar sobre um ser só ele sabe conhecer, seja real ou não, quando se lê, viaja, entra-se em outro mundo: da vida primitiva das cavernas.
d)    Indicar um livro a alguém é como contar sobre um fato do dia a dia, que só ele sabe conhecer, quando se lê, viaja, entra-se em outro mundo da religião.
e)     Indicar um livro a alguém é como contar sobre um lugar que só ele sabe onde fica, quando ele lê, viaja, entra no mundo dos personagens.

.    2.  Por que o autor diz que, quando uma pessoa morre, o mundo perde uma biblioteca?

a)     Porque as pessoas são aquilo que leram, os livros que experimentaram e, quando uma pessoa morre, morre-se um mundo de histórias, de conhecimentos.
b)    Porque as pessoas são aquilo que fazem, os livros que experimentaram e quando uma pessoa morre, morre-se uma pessoa querida, com conhecimentos.
c)     Porque as pessoas são aquilo que viram, os livros que viram na prateleira e, quando uma pessoa morre, morre-se um mundo de histórias não contadas.
d)    Porque as pessoas são aquilo que percebem, os livros que não vislumbraram e, quando uma pessoa morre, morre-se um mundo de conhecimentos não registrado.
e)     Porque as pessoas são aquilo que leram e escreveram, os livros que experimentaram e, quando uma pessoa morre, morre-se um mundo de histórias, de conhecimentos que puderam ser compartilhados.



1.       Assinale a opção em que todas as palavras obedecem ao mesmo processo de formação:

(A) aguardente - girassol - reco-reco
(B) boiada - garotada - aterro
(C) sociologia - burocracia - televisão
(D) passatempo - fidalgo - decímetro
(E) descobrir - infeliz – planalto

2.       Assinale a análise morfológica incorreta:

(A) concordava; -va = desinência de pretérito imperfeito do indicativo
(B) matando; -a- = vogal temática da primeira conjugação
(C) deixara; deixa- = radical
(D) gozar = desinência de infinitivo
(E) contribuiria; -ria = desinência de futuro do pretérito do indicativo

3.       Um exemplo de vício de linguagem é?

a)      Ele entrou para dentro da casa.
b)      Ele foi embora sozinho.
c)       Mulher bonita não paga.
d)      Fuga de presos em Mangabeira aterroriza João Pessoa.
e)      João foi à feira.

4.       Grupo de três palavras formadas por DERIVAÇÃO:

(A) pesaroso, apelo (subst.), refazer
(B) pontapé, introduzir, cipoal
(C) decímetro, casamento, namoro (subst.)
(D) cine, guarda-roupa, infiel
(E) infelizmente, amolecer, varapau

Leia a primeira estrofe de Poética, de Vinicius de Moraes, para responder à questão

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

5.       Assinale abaixo a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o processo de formação das palavras destacadas no primeiro e no terceiro versos grifados.

  a) Derivação sufixal e derivação parassintética.
  b) Derivação parassintética e derivação sufixal.
  c) Derivação regressiva e derivação imprópria.
  d) Derivação sufixal e derivação regressiva.
  e) Todas as respostas.


6.       Em “...externamos nossos sentimentos para vivê-los mais INTENSAMENTE” e “Os amores silenciosos podem provocar o CHORO”, as palavras destacadas são formadas, respectivamente, a partir de processos de:

  a) derivação sufixal e composição por justaposição.
  b) composição por justaposição e derivação regressiva.
  c) derivação sufixal e derivação regressiva.
  d) derivação regressiva e derivação parassintética.
  e) derivação parassintética e derivação prefixal.


7.       Observe o trecho seguinte: “Se fosse o soletrando do Caldeirão do Hulk...”. A expressão “o soletrando”, nesse contexto, altera a classe gramatical da palavra “soletrando”. Trata-se de um caso

  a) de derivação regressiva;
  b) de derivação parassintética;
  c) de derivação sufixal;
  d) de hibridismo;
  e) de derivação imprópria.






3.    Na frase: “O Melo soltou um grito de dor.” A palavra destacada sofreu um processo de formação de palavras. Qual foi?

a)    Derivação prefixal.
b)    Derivação parassintética.
c)    Derivação impropria.
d)    Derivação regressiva.
e)    Composição.

4.    Assinale oca única opção em que ocorre variação do radical:

(A) dizer, dizes, dizia;
(B) faço, fazes, façamos;
(C) amaria, amavas, amou;
(D) quero, queres, querias;
(E) vencia, venceste, vence.

5.    Assinale a opção onde se indica erroneamente o processo de formação:

(A) encontrável: derivação sufixal;
(B) inesperado: derivação prefixal;
(C) emudecer: derivação sufixal;
 (D) inaudível: derivação prefixal;
(E) canto: derivação regressiva.

6.    Assinale o vocábulo que apresenta o mesmo processo de formação de vaga-lume:

(A) descobriu
(B) lembrança
(C) encantamento
(D) doçura
(E) fios-de-ovos

7.    O processo que gerou o substantivo brilhante, a partir do adjetivo brilhante, é chamado:

(A) reduplicação
(B) regressão
(C) conversão
(D) parassíntese
(E) aglutinação

8.    O plural de fogãozinho e cidadão é:

a) fogãozinhos e cidadãos
b) fogãosinhos e cidadãos
c) fogõezinhos e cidadãos
d) fogõezinhos e cidadões
e) fogõesinhos e cidadões

9.    Todos os_____ que foram cha­mados ao Ministério estavam _____ressabiados com os ______que por ali corriam:

a) vice-reitores, meios, abaixas-as­sinados
b) vices-reitores, meio, abaixo-assi­nados
c) vices-reitores, meios, abaixo-as­sinados
d) vice-reitores, meio, abaixo-assi­nados
e) vice-reitores, meio, abaixas-assi­nados

10.  “A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos”; se juntarmos os adjetivos sublinhados em um só vocábulo, a forma adequada será:
 a) sociais-econômicos. 
 b) social-econômicos. 
 c) sociais-econômico.
 d) socioeconômicos.
 e) socioseconômicos.


Atividade de Interpretação. Pronome. Artigo.Denotação.


Leia o texto e responda o que se pede:
Macacos me mordam
Fernando Sabino
Morador de uma cidade do interior de Minas me deu conhecimento do fato: diz ele que há tempos um cientista local passou telegrama para outro cientista, amigo seu, residente em Manaus:
“Obsequio providenciar remessa 1 ou 2 macacos”.
Necessitava ele de fazer algumas inoculações em macaco, animal difícil de ser encontrado na localidade. Um belo dia, já esquecido da encomenda, recebeu resposta:
“Providenciada remessa 600 restante seguirá oportunamente”.
Não entendeu bem: o amigo lhe arranjara apenas um macaco, por seiscentos cruzeiros? Ficou aguardando, e só foi entender quando o chefe da estação veio comunicar-lhe:
– Professor, chegou sua encomenda. Aqui está o conhecimento para o senhor assinar. Foi preciso trem especial.
E acrescentou:
– É macaco que não acaba mais!
Ficou aterrado: o telégrafo errara ao transmitir “1 ou 2 macacos”, transmitira “1002 macacos”! E na estação, para começar, nada menos que seiscentos macacos engaiolados aguardavam desembaraço. Telegrafou imediatamente ao amigo:
“Pelo amor Santa Maria Virgem suspenda remessa restante”.
Ia para a estação, mas a população local, surpreendida pelo acontecimento, já se concentrava ali, curiosa, entusiasmada, apreensiva:
– O que será que o professor pretende com tanto macaco?
E a macacada, impaciente e faminta, aguardava destino, empilhada em gaiolas na plataforma da estação, divertindo a todos com suas macaquices. O professor não teve coragem de aproximar-se: fugiu correndo, foi se esconder no fundo de sua casa. A noite, porém, o agente da estação veio desentocá-la:
– Professor, pelo amor de Deus, vem dar um jeito naquilo.
O professor pediu tempo para pensar. O homem coçava a cabeça, perplexo:
– Professor, nós todos temos muita estima e muito respeito pelo senhor, mas tenha paciência: se o senhor não der um jeito eu vou mandar trazer a macacada para sua casa.
– Para minha casa? Você está maluco?
O impasse prolongou-se ao longo de todo o dia seguinte. Na cidade não se comentava outra coisa, e os ditos espirituosos circulavam:
– Macacos me mordam!
– Macaco, olha o teu rabo.
A noite, como o professor não se mexesse, o chefe da estação convocou as pessoas gradas do lugar: o prefeito, o delegado, o juiz.
– Mandar de volta por conta da prefeitura?
– A prefeitura não tem dinheiro para gastar com macacos.
– O professor muito menos.
– Já estão famintos, não sei o que fazer.
– Matar? Mas isso seria uma carnificina!
– Nada disso – ponderou o delegado: – Dizem que macaco guisado é um bom prato…
Ao fim do segundo dia, o agente da estação, por conta própria, não tendo outra alternativa, apelou para o último recurso – o trágico, o espantoso recurso da pátria em perigo: soltar os macacos. E como os habitantes de Leide durante o cerco espanhol, soltando os diques do mar do Norte para salvar a honra da Holanda, mandou soltar os macacos. E os macacos foram soltos! E o mar do Norte, alegre e sinistro, saltou para a terra com a braveza dos touros que saltam para a arena quando se lhes abre o curral – ou como macacos saltam para a cidade quando se lhes abre a gaiola. Porque a macacada, alegre e sinistra, imediatamente invadiu a cidade em pânico. Naquela noite ninguém teve sossego. Quando a mocinha distraída se despia para dormir, um macaco estendeu o braço da janela e arrebatou-lhe a camisola. No botequim, os fregueses da cerveja habitual deram com seu lugar ocupado por macacos. A bilheteira do cinema, horrorizada, desmaiara, ante o braço cabeludo que se estendeu através das grades para adquirir uma entrada. A partida de sinuca foi interrompida porque de súbito despregou-se do teto ao pano verde um macaco e fugiu com a bola 7. Ai de quem descascasse preguiçosamente uma banana! Antes de levá-la à boca um braço de macaco saído não se sabia de onde a surrupiava. No barbeiro, houve um momento em que não restava uma só cadeira vaga: todas ocupadas com macacos. E houve também o célebre macaco em casa de louças, nem um só pires restou intacto. A noite passou assim, em polvorosa. Caçadores improvisados se dispuseram a acabar com a praga – e mais de um esquivo notívago correu risco de levar um tiro nas suas esquivanças, confundido com macaco dentro da noite.
No dia seguinte a situação perdurava: não houve aula na escola pública, porque os macacos foram os primeiros a chegar. O sino da igreja badalava freneticamente desde cedo, apinhado de macacos, ainda que o vigário houvesse por bem suspender a missa naquela manhã, porque havia macaco escondido até na sacristia.
Depois, com o correr dos dias e dos macacos, eles foram escasseando. Alguns morreram de fome ou caçados implacavelmente. Outros fugiram para a floresta, outros acabaram mesmo comidos ao jantar, guisados como sugerira o delegado, nas mesas mais pobres. Um ou outro surgia ainda de vez em quando num telhado, esquálido, assustado, com bandeirinha branca pedindo paz à molecada que o perseguia com pedras. Durante muito tempo, porém, sua presença perturbadora pairou no ar da cidade. O professor não chegou a servir-se de nenhum para suas experiências. Caíra doente, nunca mais pusera os pés na rua, embora durante algum tempo muitos insistissem em visitá-la pela janela.
Vai um dia, a cidade já em paz, o professor recebe outro telegrama de seu amigo em Manaus:
“Seguiu resto encomenda”.
Não teve dúvidas: assim mesmo doente, saiu de casa imediatamente, direto para a estação, abandonou a cidade para sempre, e nunca mais se ouviu falar nele.

1.    Quais são as ocupações/ profissões que aparecem no texto?

a)    Pedreiro, artista, jornalista.
b)    Advogado, prefeito, juiz.
c)    Delegado, prefeito, juiz.
d)    Motorista, faxineiro, atendente.
e)    João, Maria, José.

2.    Na frase: "[...] diz ele que há tempos um cientista local passou telegrama para outro cientista, amigo seu, residente em Manaus:" a quem a oração em destaque se refere?

a)    O contador de história.
b)    O motorista que transportava o prefeito.
c)    O maquinista do trem.
d)    O chofer do carro do cientista.
e)    O dono de casa.

3.    O que ocasionou o problema abordado no texto?

a)    A confiança no prefeito.
b)    A má interpretação de texto.
c)    A falta de conversa ao telefone.
d)    O uso do telegrama compreensível.
e)    A vida da pacata cidade.


Leia o texto e responda as questões:

Um, dois, feijão com arroz. Três, quatro, feijão no prato. Cinco, seis, chegou minha vez Sete, oito, comer biscoito Nove, dez, comer pastéis.
(Cantiga Popular)

4.       A finalidade do texto é:

a) divertir
b) informar sobre os tipos de comida
c) esclarecer dúvidas sobre comidas
d) apresentar dados sobre as comidas

Leia a frase abaixo:

“A prefeitura não tem dinheiro para gastar com macacos.”

5.    O sentido dessa frase é de:

a)    Denotação (sentido real)
b)    Conotação (sentido figurado)
c)    Frase.
d)    Oração.

6.    Na frase: “O professor pediu tempo para pensar”. Podemos substituir o termo destacado por:

a)    Casa, um substantivo.
b)    Feliz, um adjetivo.
c)    Moto, um artigo.
d)    Ele, um pronome.

7.    Na frase: Morador de uma cidade do interior de Minas”. O termo destacado é um:

a)    Artigo indefinido.
b)    Artigo definido.
c)    Pronome demonstrativo.
d)    Verbo.

Leia com atenção
O telegrama não usa artigos, alguns pronomes e outros termos que podem ser dispensados na comunicação escrita. Leia a frase a seguir e responda o que se pede.
“Pelo amor Santa Maria Virgem suspenda remessa restante”.
8.    Se fossemos reescrever a frase anterior, colocando os complementos, ela seria:

a)    Pelo amor da Santa Virgem Maria, suspenda a remessa restante.
b)    Pelo amor Santa Virgem, suspenda remessa um restante.
c)    Pelo amor uma Santa Virgem, a suspenda uma remessa um restante.
d)    Pelo amor de uma Santa Virgem Maria, um suspenda a remessa a restante.
Leia a frase abaixo e responda:
“– Professor, chegou sua encomenda. Aqui está o conhecimento para o senhor assinar. Foi preciso trem especial. ”
9.    Existe na frase anterior um pronome de tratamento muito respeitoso que devemos usar com pessoas mais velhas, com nossos professores, nossos coordenadores, nossos diretores, nossos pais e nossas mães. Qual é?

a)    Aqui.
b)    Professor.
c)    Senhor.
d)    Trem.

10.  Na frase: “Dizem que macaco guisado é um bom prato…”. Qual seria o pronome que poderia ser acrescentado no início desta frase?

a)    Nós.
b)    Vós.
c)    Ele, ela.
d)    Eles, elas.


PROVA IREC

  TRIMESTRE 2º Professor MARCONILDO VIEGAS Componente Curricular LST Área de Co...