sábado, 22 de dezembro de 2012

Prova


Teste do 2º bimestre
Redação
Serie: 6º ano
1.    Leia o texto abaixo e responda as questões propostas:
A Última Crônica

                     Fernando Sabino
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.  A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de
esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial.
Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha
de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também  à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da
família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando  imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo
simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
 A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente.
Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa.
A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura -- ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido -- vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.

Texto extraído do livro "A Companheira de Viagem", Editora
 do Autor - Rio de Janeiro, 1965, pág. 174.

a)    A inspiração para uma crônica pode vir de várias fontes: da vida do próprio cronista, de fatos que ele observa ou mesmo do noticiário.  Nesse texto, que aspecto da vida do cronista serviu como ponto de partida para o desenvolvimento do texto?

b)    O narrador é personagem ou observador? Justifique.


c)    A crônica pode ter como objetivo fazer o leitor refletir, de forma crítica, sobre o tema abordado, ou apenas entreter esse leitor. Qual é o objetivo da crônica lida?

2.    Faça a leitura do quadro Moças à margem do Sem: Verão (1857), de Gustave Courbet. Observe o quadro e responda as questões propostas:

O título do quadro dá pistas importantes para sua compreensão. Além disso, observe alguns detalhes da vida como o buquê de flores que uma das moças tem sobre o corpo, uma bolsa com tom vermelho vivo na parte direita superior e um barco ancorado na margem do rio.

a)    Em que lugar estão as moças retratadas?

b)    O que elas estavam fazendo antes de se deitarem para descansar?

c)    O que estavam fazendo lá?

d)    A tela em estudo é mitológica, grandiosa, dramática e idealiza ou é uma obra que se aproxima do real? Justifique.


3.    Leia o texto abaixo e responda as questões propostas:

O Boto
Muita gente conta que viu. Algumas mulheres dizem até que dançaram com ele. A verdade é que todas suspiram quando falam seu nome...
É o Boto, a lenda encantadora que adora a noite e as festas à beira dos rios da Amazônia. Durante o dia, é um peixe. Às primeiras horas da noite, ele sai da água e se transforma em um rapaz forte e bonito. Vestido de branco, usa um chapéu que nunca tira, para não mostrar o orifício por onde respira, no alto da cabeça.
Em seguida, o Boto parte para conquistar o coração de alguma mulher. Não é difícil: ele é simpático, grande dançarino, muito alegre e brincalhão. Tem uma conversa boa que rola como o próprio rio.
Depois de dançar e se divertir muito, o Boto vai namorar na beira do rio. Quando chega a madrugada, ele se despede da companheira, pula na água e volta a ser peixe.
Com muitas dessas namoradas ele tem filhos, mas nunca se interessou por eles. Só quer saber de continuar indo a festas, dançando e conquistando outros corações pelas noites da Amazônia.
Para quem quer conquistar o coração de alguém, nada melhor que um amuleto da sorte feito de olho de Boto, seco e preparado por um pajé de alguma tribo amazônica. É irreversível!

(XAVIER, Marcelo. Mitos: o Folclore do Mestre André. BH: Formato Editorial, 1997.)

a)    Os personagens das lendas não são deuses, mas também não são pessoas comuns: pelo contrário, são criaturas fantásticas, irreais. Às vezes tem forma de gente, às vezes de bicho, outras vezes dos dois juntos. O boto e o lobisomem são exemplos de personagens fantásticos que fazem parte de lendas. Nessa lenda, que ações sobre-naturais o protagonista realiza?

b)    Por que antigamente as pessoas inventavam esse tipo de história?

4.    Leia o texto abaixo e responda as questões propostas:

A fábula do Rato


Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali. Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
A galinha disse:
- Cócócócó, Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda. O rato foi até o porco e disse:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
- Desculpe-me Sr. Rato, disse o porco, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. Será lembrado nas minhas orações. O rato dirigiu-se à vaca. E ela lhe disse:
- O que ? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!
Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima.  A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego.  No escuro, ela não viu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher… O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre.  Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinha. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la.  Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco.  A mulher não melhorou e acabou morrendo.
Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da história: Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se que quando há uma ratoeira na casa, toda fazenda corre risco. O problema de um é problema de todos.”

a)    Qual é a introdução ou situação inicial?
b)    Qual é o conflito que quebrou a normalidade dessa situação inicial?
c)    A linguagem é formal ou informal? Justifique.
d)    Dê um exemplo de onomatopéia (som da natureza).
e)    O que é uma fábula? (p.74)

5.    Observe o quadro abaixo As vaidades da vida humana, de Harmen Steenwyck, e responda as questões propostas:

a)    O quadro de Steenwyck é considerado uma natureza morta, um tipo de pintura que retrata objetos e seres inanimados ou mortos: um jarro com flores, uma cesta com frutas ou outros alimentos, etc. Por que o quadro de Steenwyck pode ser considerado uma natureza morta?

b)    Observe que o centro da tela é ocupado por um cranio humano. Com base no nome do quadro e na posiçao do crânio, qual seria a temática central dele?

c)    Atrás, acima do crânio, aparece uma  lâmpada recém-apagada, conforme sugere o tênue fio de fumaça que sai dela. Considerando que o fogo, a chama e a luz associam-se à ideia de vida, responda:

d)    O que representa a lâmpada apagada?


e)    Que outros elementos do quadro, além do crânio, apresentam o mesmo significado da lâmpada?


f)     Considerando o significado do crânio e sua posição de destaque no quadro, o que, na visao do artista, estaria acima de todos esses valores?