domingo, 22 de junho de 2014

Figuras de Linguagem



Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem surgem do trabalho artístico da forma de escolha e combinação das palavras na frase, de modo a provocar a possibilidade de associações de idéias pela aproximação de sentidos múltiplos, conotativos (opostos e/ou semelhantes) e de sonoridade (especialmente na poesia) das palavras.

A seguir estão relacionadas às principais figuras de linguagem:

1.                  Metáfora: do grego (meta = mudança; fora = transporte). É a transferência ou transporte do significado total e possível de uma palavra para a outra. É uma pequena comparação.

Ex.: “Joana é a estrela da novela”

        “Deixe de ser estrela menino. Acorde para a vida e seja humilde!”

       “Estas altas árvores
       são umas harpas verdes
       com cordas de chuva
       que tange o vento”

2. Comparação: associação limitada de sentidos. Tem como conectivos principais: como, parece, tal qual.

            Ex.: “Você é burra como uma porta.”

                   Tal qual o sol deseja a vinda do dia, eu desejo a sua companhia.”
                       
                   “Eu e você parecemos como o sol e a lua: não podemos viver um perto do outro.”

3.                  Metonímia: do grego (meta = mudança; nômio = nome). É a substituição de palavras relacionadas. Existem várias relações metonímicas como autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito, recipiente pelo produto, etc.

Ex.:  “Já li Machado de Assis e Drummond”

        “As velas se aproximam”

        “O copo está cheio demais!”

        “ Vivo do suor do meu rosto.”

4. Paradoxo: idéias contrárias mas que fere a razão.

            Ex.: O célebre desconhecido chegou ao porto.

                   Ele chorava de alegria.   

5. Antítese: idéias contrárias para expressar algum sentimento.

            Ex.: A velhice chora, a infância ri

                   males que vêm para o bem   

6. Ironia: ocorre quando se tem intenção de falar o contrário do que se está dizendo, para criticar, satirizar ou ridicularizar a pessoa.

Ex.: “Querida, como você está em forma! Aposto que não pesa nem duzentos quilos”.

       Coitadinho do assassino! Foi condenado?”

7. Eufemismo: é a tentativa de tornar mais suaves ou delicadas expressões desagradáveis.

Ex.: “Caro deputado, o senhor está faltando com a verdade. Vossa senhoria, sem dúvida, apropriou-se de alguns bens por meios indevidos.”

        “ João passou desta para melhor.”

8. Prosopopéia ou Personificação: é a atribuição de características humanas a seres irracionais ou inanimados.

Ex.: “As ruas desertas estão tristes.”

       “ O riacho, depois das últimas trovoadas, cantava grosso, bancando rio”

9. Hipérbole: expressão que exagera os fatos a fim de impressionar o leitor.

Ex.: “Riu tanto que rasgou a boca

       “Já disse mil vezes que não fui eu que fiz isso”.

10. Catacrese: uso inapropriado de termos específicos de certas situações ou para designar parte de objetos por falta de termos apropriados na Língua, ou mesmo, com finalidade artística.

Ex.: O bico do bule quebrou hoje, a asa da xícara e a perna da mesa consertei ontem.

11. Aliteração: repetição intensa de consoantes dentro de uma oração, com intenção de sugerir sons ou ruídos.

Ex.: “Que a brisa do Brasil beija e balança.” (Castro Alves)

       Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias de violões” (Cruz e Souza)

12. Assonância: repetição abundante de vogais

Ex.: “Ó formas alvas, brancas, formas claras” (Cruz e Souza)

       O outro povo contou tudo isso.”

13. Onomatopéia: procura reproduzir sons ou ruídos.

Ex.: “Toc, toc, toc, e bateram na porta.”

      Tiquetaque, tiquetaque, corria o relógio vagarosamente.”

14. Polissíndeto: repetição exagerada do conectivo ‘e’.

Ex.: “Entrava-nos alma adentro/ e via esta lama podre/ e com pesar nos fitava/ e com ira amaldiçoava/ e com doçura perdoava.”

Obs.: A inexistência desse conectivo, chama-se de Assíndeto.

Ex: Chamava, gritava, esperneava, (e) não quis nem ouvi-lo”

15. Elipse: omissão de termos.

Ex.: (nós) “Fomos ao colégio”

16. Zêugma: omissão de termos existentes na frase.

Ex.: “Os alunos gostam de esporte, as alunas de música.”

17. Anáfora: repetição de expressões

Ex.:  Tudo, tudo, pode acontecer.”

        Hoje, hoje e somente hoje eu deixo você entrar desse jeito.”

18. Pleonasmo: redundância. Retomada de algo que foi dito para reforçar a idéia.

Ex.:  Vi com esses olhos.”

        “Isso são apenas pequenos detalhes.”

19. Hipérbato: inversão sintática.

Ex.: Ao colégio o aluno foi.

20. Sinestesia: mistura de sentidos.

Ex.: A música doce acariciava a minha alma.








Funções da Linguagem

Para que existam as funções da linguagem, faz-se necessário um emissor, um receptor e uma mensagem. Essas funções estarão vinculadas, principalmente, nesses três objetos. Veja o quadro a seguir proposto por Roman Jakobson:


          





1. Função emotiva: quando a mensagem está centrada no emissor (ou remetente). Este se utiliza de uma linguagem de primeira pessoa, sendo o sujeito da enunciação.

2. Função apelativa ou conativa: mensagem está centrada no receptor (ou destinatário). Comum em propagandas e uso de verbos no imperativo para persuadir receptor.

3. Função referencial ou denotativa: a mensagem nesta função concentra-se no contexto, com o intuito de expressar a realidade, informando.

4. Função fática: mensagem centrada no contato, a comunicação entre falante e ouvinte estabelece um diálogo.

5. Função poética ou conotativa: função onde a mensagem concentra-se em si mesma. Muito comum na literatura.

6. Função metalingüística: o próprio código é estudado, procurando explicar a linguagem através dela própria.