domingo, 22 de junho de 2014

O casamento de Rosinha (peça teatral)



O casamento de Rosinha

Personagens:

Rosinha: Liliane
Namorado: Claumir
Padre: Paulo
Padrinho: Micael
Madrinha: Camila
Pai de Rosinha: escolher um dos meninos (pode ser do 7 º ano)
Convidados: o restante, a quadrilha

Resumo:

Começa o narrador falando e o encontro do noivo com a noiva, depois, começa-se as conversas, a vinda do padre e o ocorrido: Ela foge com o padre, e deixa o noivo de lado. Ai começa a quadrilha, as danças, ninguém perde a festa, mesmo sem a noiva.




Narrador:
Vou contar uma história
Verdadeira que só ela
Preste atenção, minha gente
Que tamanha esparrela
A luta de dois caboclos
Pelo amor de uma donzela.

Pai de Rosinha:
Donzela...vá lá que fosse
Era assim como dizia
O coronel velho, pai dela
Coroné:
"Moça dereita se cria
Longe de forró e festa
Mangangá, xote e fulia."


Narrador:
Rosinha era o seu nome
De muito curto pavio
Sorrateira como cobra
Sonsa como um assobio
E mais fácil que batata
Que dá em beira de rio.

Ela assim levava a vida
Nas moita de macambira
Fogosa de largar tinta
Arrancar do couro as tira
De um cabra de recado
Um tal de Chico traíra.

Chico por ela vivia
Todo tempo abestalhado
Fazia qualquer desejo
Por Rosinha ordenado
Noivo:
"Por ela? Êita, danô-se!
Eu cumpro qualquer tratado."


Narrador:
 Um belo dia, porém
Abancou-se um forasteiro
Que não era nem macaco
Nem sacristão, nem vaqueiro
Nem cantador...era mesmo
Um valente cangaceiro.

Rosinha se arrepiou
Por tudo quanto foi canto
Principalmente naquele
Que mais tinha acalanto
Dizendo:
 (Rosinha)"chegou a hora
De eu reza pra'quele santo."
Narrador:
 Ninguém ali suspeitava
Que a donzela era afoita
Rosinha:
"Por cabra bruto, valente!"
Narrador:
Desses que a morte açoita
Macho assim ela arrastava
Logo pra dentro da moita.

Mandou que Chico traíra
Fosse buscar o sujeito
Rosinha:
"Que é prumode eu sabê
Essa história bem direito
Se o cabra atira de mermo
Ou se a mira tem defeito."

Narrador:
Ôi de cobra do salto
Da égua era seu nome
Mais ruim que precisão
Mais cruel que sede e fome
Tão valente que dizia:
Noivo:
"Lampião nunca foi ômi!"

Narrador: Chico, todo enciumado
Achou que ali tinha truta
Pensou:
Noivo
"Nessa canturia
Só pra mim quero a batuta
Porém não posso usar
Com esse a força bruta."


Narrador:
Pra cima do cangaceiro
Arquitetou uma retreta
Do jeito que não pudesse
Descobrir toda a mutreta
Noivo:
"Seu eu fizé isso, Rosinha
Me joga lá pra sarjeta."


Narrador:
O plano era fazer
O mais estronso alarde
Noivo:
"Vou mostá que sou valente
Que aquele cabra é covarde
Antes que outra saída
Já seja pra lá de tarde."


Narrador:
Sabendo que o cangaceiro
Carregava uma cadela
Pra todo lugar que ia
Grudado feito remela
E que em todo canto dizia:
Noivo:
"Na vida só tenho ela."

"Essa minha cachorra
Tem muito mais sentimento
Que todo o povo do mundo
Do chão até o firmamento
Por essa coitada eu faço
Todo e qualquer juramento."


Narrador:
Chico tratou logo de armar
O plano com muito ardio
Pegou uma boa chibata
Escondeu bem lá no rio
Um pouco de estriquinina
E um toco de pão de estio.

Partiu em busca do cabra
Que arriscava roubar
O amor de sua Rosinha
E com ela se arranjar
Noivo
"Ele agora vai saber
Quem faz chover e ventar.”


Narrador:
Foi chegando devagar
Pra junto de ôi de cobra
Tirou ligeiro o chapéu
Deixando cair uma sobra
De pão seco pelo chão
Como parte da manobra.

O pão 'tava envenenado
Com um pouco da poção
Porém o tal cangaceiro
Não deu fé da arrumação

Um dos meninos da quadrilha (OI de cobra)

"O que foi cabra da peste?
Diga logo e risque o chão."


Noivo:

"Seu ôi de cobra eu só vim
Prumode lhe avisar
Nas terra do Coroné
Quem chega tem que rezá
Na ribancêra do rio
Pro santo dos animá.

São Francisco de Assis
Padruêro dos quadrupe
Dos pêxe, dos passarim
Dos inseto e sua trupe
E de mais quanto cum eles
Na mêrma raça se agrupe."


Narrador:

Depois que Chico falou
O cangaceiro gemeu
Soltou uma gargalhada
Que a terra do chão tremeu

OI de cobra

"Se ajuêlhe, cabra safado
Que aqui o santo sou eu."


Narrador:

Foi dizendo e uma paulada
No lombo de Chico deu
Porém naquele instante
A cadelinha gemeu
Espumou, grunhiu, rodou
Esticou e endureceu.

Chico gritou:
"Tá vendo?
Esse é o fim do indigente
O solvente pra alma impura
A punição pra quem mente
Coleira pra lubisômi
Xadrez pra cabra valente.

Blasfemá contra a escritura
É uma grande bestêra
Agora não tem mais jeito,
O sinhô queira ou não queira
A não ser que pra mais tarde
Teje lá na ribanceira."


O cangaceiro Oi de Cobra disse:

 "Amigo
Faço o que você dizê
Trace logo o roteiro
Que eu tenho que fazê
Qual a reza que desfio
Pra qual santo me benzê."


Narrador:

Chico lhe ensinou bem certo
Pra não ter como errar
E seguiu para a fazenda
Rosinha ligeiro avisar
Que o encontro estava certo

Chico pra Rosinha
"Você pode se aprontá."

Narrador:

Rosinha se enfiou
Num vestiudo de cetim
Verde como uma samambaia
Vermelho como carmim
Mais cheirosa que uma rosa
Mais florida que um jardim

Chico foi pra ribanceira
Esperar o cangaceiro
Deixou a chibata perto
Para o golpe ser certeiro
Ôi de cobra foi chegando
E Chico falou ligeiro:

Chico:

"Ôi de cobra, meu amigo
Chegue bem pra cá, mais perto
Eu bem sei que a sua fama
É de cangacêro esperto
Me diga se eu tô errado
Ou se meu ditado é certo."


Ôi de cobra disse:

 "Cabra
Vamo dexá de cunversa
Diga logo o que eu faço
Que já tô com muita pressa
Senão a minha cadela
Vai na premêra remessa."


Chico disse:

"Ajuêlhe
Que eu quero lhe benzê
Com o cordão de São Francisco
Que é quem tem todo o pudê
De atendê os pedido
De quem no lombo bate."


Ôi de cobra disse:

"E o quê
É que tu tá esperando
Pra macaca no meu couro
Sem pena logo ir deitando
Chegue. Bata cum gosto
Que sou eu que tô mandando!"


Narrador:

Rosinha tava chegando
Naquele exato momento
Trazendo junto um padre
Montados em um jumento
Que era pra garantir
De pronto seu casamento.

O padre era até vistoso
Tinha abraçado a batina
Para fugir do caminho
Da mira de uma carabina
De um coronel de outras terras
Pai de uma afoita menina.

Rosinha bem que achou
O padre apessoado
Pensou até que podia
Com ele ter um amassado
Porém o homem era santo
Com a religião casado.

Os dois foram chegando
E vendo a cena que estava
Acontecendo de um jeito
Que ninguém acreditava
Na mesma hora que Chico
Ôi de cobra açoitava.

Chico dizia:

"Quem é
Que manda no seu distino?"

Cobra dizia:
 "É o Sinhô,
Meu São Chico divino!"


Narrador:

Tremendo feito uma vara
Berrando que nem menino.

Rosinha pensou:
"Não sabia
Que Chico era tão valente.
Já tô toda arripiada
Feito uma pedra quente
Ai... Desse jeito num aguento
Cabra assim rasgo nos dente."


Narrador:

Quando viu aquela cena
O padre pensou, agitado
Que um homem estava batendo
No lombo de um coitado
Correu pela ribanceira
Sorrateiro e abaixado.

De um salto tomou a chibata
Que Chico tinha na mão
Gritando:

"Cabra safado
Cadê a autorização
De bater assim desse jeito
No couro de um cristão?"


Tomados de grande espanto
Ôi de cobra e o traíra

Berraram juntos:
"valei-me!"

O padre disse:
"que a ira
De Nosso Senhor Jesus Cristo
Tome conta dessa imbira!"


narrador:

Foi dizendo e foi batendo
Em Chico feito sansão.
O cangaceiro, assustado
Saltou ligeiro do chão
Os dois correram pensando
Que era uma aparição.

Dizem que Chico traíra
Andou noutra freguesia
Nunca mais o ôi de cobra
Teve a vida vadia
A Rosinha e o tal padre
Se casaram no outro dia.


Ai começa a quadrilha a festa junina...