domingo, 22 de junho de 2014

Literatura - 1º ano



                                                  PSS I
EXERCÍCIOS
- Pe. ANTÔNIO VIEIRA -

Finjamos pois — o que até fingido e imaginado faz horror, finjamos que vem a Bahia e o resto do Brasil a mãos dos holandeses: que é o que há de suceder em tal caso?(...)
Entrarão os hereges nesta igreja e nas outras; arrebatarão esta custódia em que agora estais adorado dos anjos; tomarão os cálices e vasos sagrados, e aplicá-los-ão a suas nefandas embriaguezes. Derrubarão dos altares os vultos e estátuas dos santos, deformá-las-ão a cutiladas, e metê-las-ão no fogo, e não perdoarão as mãos furiosas e sacrílegas nem as imagens tremendas de Cristo crucificado, nem as da Virgem Maria. Não me admiro tanto, Senhor, de que hajais de consentir semelhantes agravos e afrontas nas vossas imagens, pois já as permitistes em vosso sacratíssimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de vossa Santíssima Mãe, não sei como isto pode estar com a piedade e amor de Filho.(...)
Enfim, Senhor, despojados assim os templos, e derrubados os altares, acabar-se-á no Brasil a cristandade católica, acabar-se-á o culto divino, nascerá erva nas igrejas como nos campos, não haverá quem entre nelas. Passará um dia de Natal, e não haverá memória de vosso nascimento; passará a Quaresma e a Semana Santa, e não se celebrarão os mistérios de vossa Paixão. Não haverá missas, nem altares, nem sacerdotes que as digam; morrerão os católicos sem confissão nem sacramentos; pregar-se-ão heresias nestes mesmos púlpitos, e, em lugar de São Jerônimo e Santo Agostinho, ouvir-se-ão e alegar-se-ão neles os infames nomes de Calvino e Lutero...
1.   De que maneira parte do castigo atingiria o próprio Deus, em caso de Vitória dos holandeses?
2.   Acreditando que Cristo permitiria afrontas e agravos e sua própria imagem, pois já as permitiria outrora em seu próprio corpo, para que outros sentimentos apela o orador?
3.   O sermão de Vieira é todo permeado de idéias contrastantes. No entanto, a que se sobressai, por ser causa de todas as outras, é a de vitória dos portugueses versus vitória dos holandeses. Em caso de vitória dos holandeses, que outras doutrinas substituiriam as de São Jerônimo e Santo Agostinho?
4.   Sendo a Holanda um país reformista, isto é, protestante, podemos deduzir que Vieira se mostra comprometido com outros ideais, além da defesa do território baiano. Que ideais são esses?
5.   Considerado por José Veríssimo como “malcriado, rabugento e maléfico”, por outros como mero plagiador de Gôngora e Quevedo, por outros ainda como gênio absoluto, o autor em questão, que nunca se preocupou com a edição de suas obras, só tem seu valor reconhecido a partir do Romantismo.
a)   Esta afirmação se refere a que autor? Qual o período literário que ele pertence?
b)   Quais os tipos de poesia ele escreveu?
6. (FUVEST-SP) “Nasce o sol, e não dura mais que um dia,/ Depois da Luz se segue a noite escura,/ Em tristes sombras morre a formosura,/ Em contínuas tristezas a alegria.”
Na estrofe acima, de Gregório de Matos, a principal característica do Barroco é:
(A)           O culto da natureza.
(B)           A utilização de rimas alternadas.
(C)           A forte presença de antíteses.
(D)          O culto do amor cortês.
(E)           O uso de aliterações.

7. (FUVEST-SP) “Entre os semeadores do Evangelho há uns que saem a semear, há outros que semeiam sem sair. Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão; os que semeiam sem sair são os que se contentam em pregar na pátria. Todos terão sua razão, mas tudo tem sua conta. Aos que têm a seara em casa, pagar-lhes-ão a semeadura: aos que vão buscar a seara tão longe, hão-lhes de medir a semeadura, e hão-lhes de contar os passos. Ah! dia do juízo! Ah! pregadores! Os de cá, achar-vos-ei com mais paço; os de lá, com mais passos…”
A passagem acima é representativa de uma das tendências estéticas típicas da prosa seiscentista, a saber:
(A) O sebastianismo, isto é, a celebração do mito da volta de D. Sebastião, rei de Portugal, morto na batalha de Alcácer-Quibir.
(B) A busca do exotismo e da aventura ultramarina, presentes nas crônicas e narrativas de viagem.
(C) A exaltação do heróico e do épico, por meio das metáforas grandiloqüentes da epopéia.
(D)          O lirismo trovadoresco caracterizado por figuras de estilo passionais e místicas.
(E) O conceptismo, caracterizado pela utilização constante dos recursos da dialética.

8. Leia os seguintes versos, de Gregório de Matos:
“Senhora Dona Bahia,,
nobre, e opulenta cidade,
madrasta dos Naturais,
e dos Estrangeiros madre.”
Neles, é possível notar:
(A) uma clara sátira ao clero português, que se evidencia no uso da palavra “madre”.
(B) um sentimento nativista quando ele separa o que é brasileiro do que é exploração estrangeira.
(C) um certo deboche em relação à figura do estrangeiro.
(D)          um sentimento de culpa por escrever poesia satírica.

9.  (FEBA-SP) “Basta, senhor, que eu, porque roubo em uma barca, sou ladrão, e vós, porque roubais em uma armada, sois imperador? Assim é. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres… O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão mas que levam, de que eu trato, são os outros – ladrões de maior calibre e de mais alta esfera… Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam debaixo de seu risco, estes, sem temor nem perigo: os outros se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam.”
(“Sermão do bom ladrão” [fragmento] –  Pe. Antônio Vieira)
Em relação ao estilo empregado por Vieira neste trecho podemos afirmar que:
(A) O autor recorre ao cultismo da linguagem com o intuito de convencer o ouvinte e por isto cria um jogo de imagens.
(B) Vieira recorre ao preciosismo da linguagem, isto é, através de fatos corriqueiros, cotidianos, procura converter o ouvinte.
(C) Padre Vieira emprega, principalmente, o conceptismo, ou seja, o predomínio das idéias, da lógica, do raciocínio.
(D)          O pregador procura ensinar preceitos religiosos ao ouvinte, o que era prática comum entre os escritores gongóricos.

10.                    (PUC-SP)

“Que falta nesta cidade? Verdade.
Que mais por sua desonra? Honra.
Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.
O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.”
Pode-se reconhecer nesses versos, de Gregório de Matos:
(A) O caráter de jogo verbal próprio da poesia religiosa do século XVI, sustentando piedosa lamentação pela falta de fé do gentio.
(B) O estilo pedagógico da poesia neoclássica, por meio da qual o poeta se investe das funções de um autêntico moralizador.
(C) O caráter de jogo verbal próprio do estilo barroco, a serviço da expressão lírica, do arrependimento do poeta pecador.
(D)          O estilo pedagógico da poesia neoclássica, sustentando em tom lírico as reflexões do poeta sobre o perfil moral da cidade da Bahia.
11. “Que os brasileiros são bestas,/ e estarão a trabalhar/ toda a vida por manter/ maganos de Portugal”.
Comente a visão de Gregório de Matos sobre a colonização portuguesa no Brasil.
12.  “Duas atitudes diferentes, dois diferentes processos: a atitude sensual de rebusca do mais pulcro e fulgurante para o encanto dos olhos; a atitude intelectual, que formula o conceito engenhoso, para deliciado pasmo do espírito dialético. De comum, apenas o objetivo de surpreender pela singularidade espantosa.”
(Hernâni Cidade)
Quais são os dois processos a que se refere o crítico português, respectivamente? Cite exemplos de cada um desses estilos.