domingo, 22 de junho de 2014

Literatura



LITERATURA BRASILEIRA



1.   Definições:

1.1    – Tipologia textual;
1.2    – Gêneros textuais;
1.3     - Gêneros literários;

2.   Estrutura de um poema:

2.1    – Versos;
2.2    – Estrofes;
2.3    – Metrificação.

3.   Figuras de Linguagem:


As figuras de linguagem surgem do trabalho artístico da forma de escolha e combinação das palavras na frase, de modo a provocar a possibilidade de associações de idéias pela aproximação de sentidos múltiplos, conotativos (opostos e/ou semelhantes) e de sonoridade (especialmente na poesia) das palavras.

A seguir estão relacionadas às principais figuras de linguagem:

1.           Metáfora: do grego (meta = mudança; fora = transporte). É a transferência ou transporte do significado total e possível de uma palavra para a outra. É uma pequena comparação.

Ex.: “Joana é a estrela da novela”

        “Deixe de ser estrela menino. Acorde para a vida e seja humilde!”

       “Estas altas árvores
       são umas harpas verdes
       com cordas de chuva
       que tange o vento”

2. Comparação: associação limitada de sentidos. Tem como conectivos principais: como, parece, tal qual.

        Ex.: “Você é burra como uma porta.”

               Tal qual o sol deseja a vinda do dia, eu desejo a sua companhia.”
                
               “Eu e você parecemos como o sol e a lua: não podemos viver um perto do outro.”

3.           Metonímia: do grego (meta = mudança; nômio = nome). É a substituição de palavras relacionadas. Existem várias relações metonímicas como autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito, recipiente pelo produto, etc.

Ex.:  “Já li Machado de Assis e Drummond”

        “As velas se aproximam”

        “O copo está cheio demais!”

        “ Vivo do suor do meu rosto.”

4. Paradoxo: idéias contrárias mas que fere a razão.

        Ex.: O célebre desconhecido chegou ao porto.

               Ele chorava de alegria.

5. Antítese: idéias contrárias para expressar algum sentimento.

        Ex.: A velhice chora, a infância ri

               males que vêm para o bem     

6. Ironia: ocorre quando se tem intenção de falar o contrário do que se está dizendo, para criticar, satirizar ou ridicularizar a pessoa.

Ex.: “Querida, como você está em forma! Aposto que não pesa nem duzentos quilos”.

       Coitadinho do assassino! Foi condenado?”

7. Eufemismo: é a tentativa de tornar mais suaves ou delicadas expressões desagradáveis.

Ex.: “Caro deputado, o senhor está faltando com a verdade. Vossa senhoria, sem dúvida, apropriou-se de alguns bens por meios indevidos.”

        “ João passou desta para melhor.”

8. Prosopopéia ou Personificação: é a atribuição de características humanas a seres irracionais ou inanimados.

Ex.: “As ruas desertas estão tristes.”

       “ O riacho, depois das últimas trovoadas, cantava grosso, bancando rio”

9. Hipérbole: expressão que exagera os fatos a fim de impressionar o leitor.

Ex.: “Riu tanto que rasgou a boca

       “Já disse mil vezes que não fui eu que fiz isso”.

10. Catacrese: uso inapropriado de termos específicos de certas situações ou para designar parte de objetos por falta de termos apropriados na Língua, ou mesmo, com finalidade artística.

Ex.: O bico do bule quebrou hoje, a asa da xícara e a perna da mesa consertei ontem.

11. Aliteração: repetição intensa de consoantes dentro de uma oração, com intenção de sugerir sons ou ruídos.

Ex.: “Que a brisa do Brasil beija e balança.” (Castro Alves)

       Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias de violões” (Cruz e Souza)

12. Assonância: repetição abundante de vogais

Ex.: “Ó formas alvas, brancas, formas claras” (Cruz e Souza)

       O outro povo contou tudo isso.”

13. Onomatopéia: procura reproduzir sons ou ruídos.

Ex.: “Toc, toc, toc, e bateram na porta.”

      Tiquetaque, tiquetaque, corria o relógio vagarosamente.”

14. Polissíndeto: repetição exagerada do conectivo ‘e’.

Ex.: “Entrava-nos alma adentro/ e via esta lama podre/ e com pesar nos fitava/ e com ira amaldiçoava/ e com doçura perdoava.”

Obs.: A inexistência desse conectivo, chama-se de Assíndeto.

Ex: Chamava, gritava, esperneava, (e) não quis nem ouvi-lo”

15. Elipse: omissão de termos.

Ex.: (nós) “Fomos ao colégio”

16. Zêugma: omissão de termos existentes na frase.

Ex.: “Os alunos gostam de esporte, as alunas de música.”

17. Anáfora: repetição de expressões

Ex.:  Tudo, tudo, pode acontecer.”

        Hoje, hoje e somente hoje eu deixo você entrar desse jeito.”

18. Pleonasmo: redundância. Retomada de algo que foi dito para reforçar a idéia.

Ex.:  Vi com esses olhos.”

        “Isso são apenas pequenos detalhes.”

19. Hipérbato: inversão sintática.

Ex.: Ao colégio o aluno foi.

20. Sinestesia: mistura de sentidos.

Ex.: A música doce acariciava a minha alma.



4.   Funções da Linguagem


Para que existam as funções da linguagem, faz-se necessário um emissor, um receptor e uma mensagem. Essas funções estarão vinculadas, principalmente, nesses três objetos. Veja o quadro a seguir proposto por Roman Jakobson:





4.1. Função emotiva: quando a mensagem está centrada no emissor (ou remetente). Este se utiliza de uma linguagem de primeira pessoa, sendo o sujeito da enunciação.

4.2. Função apelativa ou conativa: mensagem está centrada no receptor (ou destinatário). Comum em propagandas e uso de verbos no imperativo para persuadir receptor.

4.3. Função referencial ou denotativa: a mensagem nesta função concentra-se no contexto, com o intuito de expressar a realidade, informando.

4.4. Função fática: mensagem centrada no contato, a comunicação entre falante e ouvinte estabelece um diálogo.

4.5. Função poética ou conotativa: função onde a mensagem concentra-se em si mesma. Muito comum na literatura.

4.6. Função metalingüística: o próprio código é estudado, procurando explicar a linguagem através dela própria.

EXERCÍCIOS SOBRE FIGURAS E FUNÇÕES DA LINGUAGEM

01.       (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese


02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente: 

a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.


03. (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.


04. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:

a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número


05. (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?

a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)


06. (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:

a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a qualquer tratamento.


07. (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos abaixo:

I.   "Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste." 

II.  "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."

III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."

IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."

a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.

 
08.
 (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:

a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.

                          
09. (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de gradação. Não há gradação em:

a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.


10. (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:

a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."
11. Reconheça nos textos a seguir, as funções da linguagem:

a) "O risco maior que as instituições republicanas hoje correm não é o de se romperem, ou serem rompidas, mas o de não funcionarem e de desmoralizarem de vez, paralisadas pela sem-vergonhice, pelo hábito covarde de acomodação e da complacência. Diante do povo, diante do mundo e diante de nós mesmos, o que é preciso agora é fazer funcionar corajosamente as instituições para lhes devolver a credibilidade desgastada. O que é preciso (e já não há como voltar atrás sem avacalhar e emporcalhar ainda mais o conceito que o Brasil faz de si mesmo) é apurar tudo o que houver a ser apurado, doa a quem doer." (O Estado de São Paulo)

b) O verbo infinitivo
     Ser criado, gerar-se, transformar
     O amor em carne e a carne em amor; nascer
     Respirar, e chorar, e adormecer
     E se nutrir para poder chorar

     Para poder nutrir-se; e despertar
     Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
     E começar a amar e então ouvir
     E então sorrir para poder chorar.

     E crescer, e saber, e ser, e haver
     E perder, e sofrer, e ter horror
     De ser e amar, e se sentir maldito

     E esquecer tudo ao vir um novo amor
     E viver esse amor até morrer
     E ir conjugar o verbo no infinito... (Vinícius de Morais)
  
c) "Para fins de linguagem a humanidade se serve, desde os tempos pré-históricos, de sons a que se dá o nome genérico de voz, determinados pela corrente de ar expelida dos pulmões no fenômeno vital da respiração, quando, de uma ou outra maneira, é modificada no seu trajeto até a parte exterior da boca." (Matoso Câmara Jr.)

d) " - Que coisa, né?
       - É. Puxa vida!
       - Ora, droga!
       - Bolas!
       - Que troço!
       - Coisa de louco!
       - É!"

e) "Fique afinado com seu tempo. Mude para Col. Ultra Lights."

f) "Sentia um medo horrível e ao mesmo tempo desejava que um grito me anunciasse qualquer acontecimento extraordinário. Aquele silêncio, aqueles rumores comuns, espantavam-me. Seria tudo ilusão? Findei a tarefa, ergui-me, desci os degraus e fui espalhar no quintal os fios da gravata. Seria tudo ilusão?... Estava doente, ia piorar, e isto me alegrava. Deitar-me, dormir, o pensamento embaralhar-se longe daquelas porcarias. Senti uma sede horrível... Quis ver-me no espelho. Tive preguiça, fiquei pregado à janela, olhando as pernas dos transeuntes." (Graciliano Ramos)

g) " - Que quer dizer pitosga?
       - Pitosga significa míope.
       - E o que é míope?
       - Míope é o que vê pouco."
  

12. No texto abaixo, identifique as funções da linguagem:

 "Gastei trinta dias para ir do Rossio Grande ao coração de Marcela, não já cavalgando o corcel do cego desejo, mas o asno da paciência, a um tempo manhoso e teimoso. Que, em verdade, há dois meios de granjear a vontade das mulheres: o violento, como o touro da Europa, e o insinuativo, como o cisne de Leda e a chuva de ouro de Dânae, três inventos do padre Zeus, que, por estarem fora de moda, aí ficam trocados no cavalo e no asno." (Machado de Assis)


13. Descubra, nos textos a seguir, as funções de linguagem:

a) "O homem letrado e a criança eletrônica não mais têm linguagem comum." (Rose-Marie Muraro)

b) "O discurso comporta duas partes, pois necessariamente importa indicar o assunto de que se trata, e em seguida a demonstração. (...) A primeira destas operações é a exposição; a segunda, a prova." (Aristóteles)

c) "Amigo Americano é um filme que conta a história de um casal que vive feliz com o seu filho até o dia
em que o marido suspeita estar sofrendo de câncer."

d) "Se um dia você for embora
      Ria se teu coração pedir
      Chore se teu coração mandar." (Danilo Caymmi & Ana Terra)

e) "Olá, como vai?
      Eu vou indo e você, tudo bem?
      Tudo bem, eu vou indo em pegar um lugar no futuro e você?
      Tudo bem, eu vou indo em busca de um sono tranqüilo..." (Paulinho da Viola)
  

Texto para as questões 14 e 15

Poética

Que é poesia?
uma ilha
cercada
de palavras
por todos os lados
Que é um poeta?
um homem
que trabalha um poema
com o suor do seu rosto
Um homem
que tem fome
como qualquer outro
homem.       

(Cassiano Ricardo)

14. Quais as funções da linguagem predominantes no poema anterior?
  

15. Aponte os elementos que integram o processo de comunicação em Poética, de Cassiano Ricardo.
  

16. Historinha I

      
Historinha II

    
Qual a função da linguagem comum às duas historinhas?
  

17. (CESUPA - CESAM - COPERVES) Segundo o lingüísta Roman Jakobson, "dificilmente lograríamos (...) encontrar mensagens verbais que preenchem uma única função... A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante".

 "Meu canto de morte
Guerreiros, ouvi.
Sou filho das selvas
Nas selvas cresci.
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante.
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, forte,
Sou filho do Norte
Meu canto de morte,        
Guerreiros, ouvi." 
(Gonçalves Dias)
     
Indique a função predominante no fragmento acima transcrito, justificando a indicação.
  
   


  
5. Períodos Literários:

QUINHENTISMO
(século XVI)

 Contexto histórico:

a)          Na Europa:

* ascensão da burguesia;
* invenções;
*progresso científico;
* Reforma;
* Contra-Reforma;
* Grandes Navegações
b) No Brasil:

* 1500 – descobrimento do Brasil – exploração do pau-brasil;
* 1530 – início das expedições de exploração e povoamento;
* 1534 – criação das capitanias hereditárias;
* 1539 – vinda dos jesuítas – catequese dos índios e fundação dos primeiros colégios.

 Características:

a) literatura documental sobre o Brasil escrita por portugueses (que acompanhavam as expedições) e por viajantes estrangeiros;
b) literatura pedagógica dos jesuítas visando à catequese dos índios e à orientação moral e espiritual dos colonos.
EXERCÍCIOS SOBRE O QUINHENTISMO
1) (Univ. Est. de Londr.) - É lícito dizer que a literatura brasileira nasceu marcada: 
a) pela cultura clássica greco-romana. 
b) pelas luzes do racionalismo francês. 
c) pelo renascimento italiano, filtrado através da experiência nativa. 
d) pela cultura barroca dos padres jesuítas. 
e) pelo folclore indigenista.
2) (UF Viçosa) - Não houve desenvolvimento literário no Brasil-Colônia porque... 
Assinale a incorreta: 
a) o isolamento das capitanias e seu desenvolvimento irregular dificultou o contato entre escritores. 
b) inexistência, praticante, da vida urbana. 
c) Portugal sempre manteve o Brasil afastado das influências culturais de outros países. 
d) a imitação estrangeira dificultou a imaginação de nossos escritores. 
e) nenhuma das anteriores.
3) (Cescem) - A literatura brasileira do período colonial, em seus primeiros tempos, teve como preocupação acentuada a catequese do selvagem. 
É o que se vê revelado:   
a) nos Diálogos das Grandezas do Brasil 
b) na Prosopopéia 
c) no teatro de Anchieta 
d) no Tratado da Terra do Brasil 
e) no poemeto épico Uruguai
4) (Fuvest) - Relacione a coluna da esquerda com a da direita. 
1. Tratado Descritivo do Brasil
2. Meu Cativeiro entre os Índios do Brasil
3. Cartas do Brasil
4. Diário da Navegação
5. História da Província da Santa Cruz
6. Tratado da Terra e da Gente do Gente

( ) Pero Magalhães Gândavo
( ) Fernão Cardim
( ) Gabriel Soares de Sousa
( ) Hans Staden 
( ) Pero Lopes de Sousa
( ) Manuel da Nóbrega  

A sequência correta é: 
a) 5, 6, 1, 4, 2, 3 
b) 6, 1, 4, 3, 2, 5 
c) 5, 6, 1, 2, 3, 4 
d) 5, 6, 1, 2, 4, 3 
e) 1, 6, 5, 2, 4, 3
5) (USP) - Sobre o padre Anchieta podemos dizer que: 
a) foi autor de Prosopopéia. 
b) foi o autor de um poema em louvor à Virgem e de um poema de cunho encomiástico, louvando a figura de Mem de Sá.
 
c) foi o autor de "Auto de Pregação Universal", peça de cunho nitidamente clássico, demonstrando que Anchieta assimilou profundamente o Classicismo. 
d) sua poesia tem como ponto alto Diálogos das Grandezas do Brasil. 
e) nenhuma das anteriores.
6) (Fuvest) - Assinale V (verdadeiro) ou F (falso), após analisar as afirmações que se seguem sobre o Quinhentismo: 
( ) A literatura de informação ressalta a importância do trabalho com o estilo, com a forma. 
( ) A atitude de Caminha em frente à terra recém-descoberta é de decepção e de repulsa pelo índio. 
( ) A produção informativa do Quinhentismo frente à terra tem maior valor histórico-documental que literário. 
( ) A exaltação ufanista das virtudes da terra prestava-se, também, ao incentivo à imigração e aos investimentos da Europa na Colônia. 
( ) Autores românticos e modernistas valeram-se de sugestões temáticas e formais das crônicas de viagem. 
( ) A literatura dos viajantes é ocorrência exclusiva brasileira, não tendo nenhum similar em nenhuma outra parte do mundo. 
( ) A poesia de Anchieta está presa aos modelos renascentistas e reflete, em seus sonetos, uma transparente influência de Camões.
A sequência é: 
a) F, F, V, V, V, F, F 
b) F, F, F, V, V, V, F 
c) F, F, F, F, F, V, V 
d) V, V, V, V, V, V, V 
e) V, V, V, V, V, F, F
7) (Cescem) - "Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem". 
No texto acima notamos: 
a) que Pero Vaz Caminha assume a atitude de um observador frio. 
b) que Caminha se empolga pelas coisas da terra. 
c) que o escritor descobriu águas-marinhas. 
d) Caminha apenas está atento ao que vê, desprezando o entusiasmo tão comum da época. 
e) nenhuma das anteriores.
8) (Cesgranrio) - Assinale com C as afirmações certas e com E as erradas. 
( ) A estrutura social gerada no Brasil durante os primeiros tempos da colonização permitiu um desenvolvimento cultural extraordináriamente rico e fecundo. 
( ) Nos primeiros séculos, os ciclos de ocupação e de exploração formaram ilhas sociais (Bahia, Pernambuco, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo), que deram à Colônia a fisionomia de um arquipélago cultural. 
( ) A literatura dos cronistas portugueses interessa como conhecimento das raízes da terra, do índio e do colono português, modernistas como Oswald de Andrade e Mário de Andrade os recuperam para reagir contra a europeização da cultura brasileira. 
( ) Nos dois primeiros séculos do Brasil produziu-se uma literatura documental que se desdobra em duas vertentes: o ufanismo e o realismo. À primeira estão ligados cronistas como Pero Magalhães Gândavo e Gabriel Soares de Sousa; à segunda, vinculam-se os textos escritos pelo Frei Vicente do Salvador e por Antonil, pseudônimo do jesuíta italiano João Antônio Andreoni. 
( ) A poesia de Anchieta se marca pelo lirismo ingênuo, desprovida de qualquer maior fantasia, complexidade ou substância mental. 
A sequência correta é:   
a) C, C, C, C, C 
b) C, E, C, E, C 
c) E, C, C, C, C 
d) E, C, C, E, C 
e) E, C, E, C, C
9) (Santa Casa) - Assinale a incorreta: 
a) A literatura de viagens constitui valioso documento do Brasil-Colônia. 
b) Na literatura de viagens encontramos informações sobre a natureza e o homem brasileiro. 
c) Os primeiros escritos sobre o Brasil pertencem à categoria de literatura, uma vez que notamos neles preocupações estéticas. 
d) O mito ufanista é representado pelo louvor à terra fértil e a natureza como algo exuberante. 
e) nenhuma das anteriores


BARROCO
(séculos XVII e XVIII)

è Contexto histórico:

a)   Na Europa:

·        Estados absolutistas;
·        Contra-Reforma – Companhia de Jesus e Concílio de Trento;
·        Desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer-Quibir;
·        Domínio espanhol sobre Portugal (1580-1640).

b)   No Brasil:

·        Ciclo da cana-de-açúcar;
·        Bahia e Pernambuco: centros econômicos e culturais:
·        Bandeiras:
·        Invasões.

è Características:


·        Rebuscamento da forma (gongorismo);
·        Rebuscamento do conteúdo (conceptismo);
·        Tentativa de conciliação dos opostos (fusionismo);

è Autores:
a)   Bento Teixeira:
b)   Gregário de Mattos Guerra:
c)   Padre Antônio Vieira:
d)   Manuel Botelho de Oliveira.

EXERCÍCIOS SOBRE O BARROCO


01. (UNIV. CAXIAS DO SUL) Escolha a alternativa que completa de forma correta a frase abaixo: 

A linguagem ______, o paradoxo, ________ e o registro das impressões sensoriais são recursos lingüísticos presentes na poesia ________. 

a) simples; a antítese; parnasiana.
b) rebuscada; a antítese; barroca.
c) objetiva; a metáfora; simbolista.
d) subjetiva; o verso livre; romântica.
e) detalhada; o subjetivismo; simbolista. 


02. (MACKENZIE-SP) Assinale a alternativa incorreta: 

a) Na obra de José de Anchieta, encontram-se poesias que seguem a tradição medieval e textos para teatro com clara intenção catequista.

b) A literatura informativa do Quinhentismo brasileiro empenha-se em fazer um levantamento da terra, daí ser predominantemente descritiva.

c) A literatura seiscentista reflete um dualismo:o ser humano dividido entre a matéria e o espírito, o pecado e o perdão.

d) O Barroco apresenta estados de alma expressos através de antíteses, paradoxos, interrogações.

e) O conceptismo caracteriza-se pela linguagem rebuscada, culta, extravagante, enquanto o cultismo é marcado pelo jogo de idéias, seguindo um raciocínio lógico, racionalista. 


03. Com referência ao Barroco, todas as alternativas são corretas, exceto: 

a) O Barroco estabelece contradições entre espírito e carne, alma e corpo, morte e vida.

b) O homem centra suas preocupações em seu próprio ser, tendo em mira seu aprimoramento, com base na cultura greco-latina.

c) O Barroco apresenta, como característica marcante, o espírito de tensão, conflito entre tendências opostas: de um lado, o teocentrismo medieval e, de outro, o antropocentrismo renascentista.

d) A arte barroca é vinculada à Contra-Reforma.

e) O barroco caracteriza-se pela sintaxe obscura, uso de hipérbole e de metáforas. 


04. (VUNESP) 


      Ardor em firme coração nascido;
      pranto por belos olhos derramado;
      incêndio em mares de água disfarçado;
      rio de neve em fogo convertido:
      tu, que em um peito abrasas escondido;
      tu, que em um rosto corres desatado;
      quando fogo, em cristais aprisionado;
      quando crista, em chamas derretido.
      Se és fogo, como passas brandamente,
      se és fogo, como queimas com porfia?
      Mas ai, que andou Amor em ti prudente!
      Pois para temperar a tirania,
      como quis que aqui fosse a neve ardente,
      permitiu parecesse a chama fria.


O texto pertencente a Gregório de Matos e apresenta todas seguintes características: 

a) Trocadilhos, predomínio de metonímias e de símiles, a dualidade temática da sensualidade e do refreamento, antíteses claras dispostas em ordem direta.

b) Sintaxe segundo a ordem lógica do Classicismo, a qual o autor buscava imitar, predomínio das metáforas e das antíteses, temática da fugacidade do tempo e da vida.

c) Dualidade temática da sensualidade e do refreamento, construção sintática por simétrica por simetrias sucessivas, predomínio figurativo das metáforas e pares antitéticos que tendem para o paradoxo.

d) Temática naturalista, assimetria total de construção, ordem direta predominando sobre a ordem inversa, imagens que prenunciam o Romantismo.

e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica. 

e) Verificação clássica, temática neoclássica, sintaxe preciosista evidente no uso das síntese, dos anacolutos e das alegorias, construção assimétrica. 


05. A respeito de Gregório de Matos, assinale a alternativa, incorreta: 

a) Alguns de seus sonetos sacros e líricos transpõem, com brilho, esquemas de Gôngora e de Quevedo.
b) Alma maligna, caráter rancoroso,relaxado por temperamento e costumes, verte fel em todas as suas sátiras.
c) Na poesia sacra, o homem não busca o perdão de Deus; não existe o sentimento de culpa, ignorando-se a busca do perdão divino.
d) As suas farpas dirigiam-se de preferência contra os fidalgos caramurus.
e) A melhor produção literária do autor é constituída de poesias líricas, em que desenvolve temas constantes da estática barroca, como a transitoriedade da vida e das coisas. 



Texto para as questões 06 a 08 

À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO 

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em continuas tristezas a alegrias,

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto, da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.



06. No texto predominaram as imagens: 

a) olfativas;
b) gustativas;
c) auditivas;
d) táteis;
e) visuais.


07. A idéia central do texto é: 

a) a duração efêmera de todas as realidades do mundo;
b) a grandeza de Deus e a pequenez humana;
c) os contrastes da vida;
d) a falsidade das aparências;
e) a duração prolongada do sofrimento.


08. (SANTA CASA) A preocupação com a brevidade da vida induz o poeta barroco a assumir uma atitude que: 

a) descrê da misericórdia divina e contesta os valores da religião;
b) desiste de lutar contra o tempo, menosprezando a mocidade e a beleza;
c) se deixa subjugar pelo desânimo e pela apatia dos céticos;
d) se revolta contra os insondáveis desígnios de Deus;
e) quer gozar ao máximo seus dias, enquanto a mocidade dura.


09. (UEL) Identifique a afirmação que se refere a Gregório de Matos: 

a) No seu esforço da criação a comédia brasileira, realiza um trabalho de crítica que encontra seguidores no Romantismo e mesmo no restante do século XIX.

b) Sua obra é uma síntese singular entre o passado e o presente: ainda tem os torneios verbais do Quinhentismo português, mas combina-os com a paixão das imagens pré-românticas.

c) Dos poetas arcádicos eminentes, foi sem dúvida o mais liberal, o que mais claramente manifestou as idéias da ilustração francesa.

d) Teve grande capacidade em fixar num lampejo os vícios, os ridículos, os desmandos do poder local, valendo-se para isso do engenho artificioso que caracteriza o estilo da época.

e) Sua famosa sátira à autoridade portuguesa na Minas do chamado ciclo do ouro é prova de que seus talento não se restringia ao lirismo amoroso.

ARCADISMO
(século XVIII)

è Contexto histórico:

a)   Na Europa:
·        Ascensão política da burguesia;
·        Liberalismo econômico;
·        Primeira Revolução Industrial;
·        Despotismo esclarecido;
·        Iluminismo:
·        Revolução Francesa.

b)   Na América:
·        Independência dos Estados Unidos.

c)   No Brasil:
·        Ciclo da mineração;
·        Mudança do eixo econômico e cultural para MG e RJ;
·        Inconfidência Mineira.

è Características:
·        Novo interesse pelos clássicos;
·        Racionalismo;
·        Equilíbrio;
·        Simplicidade;
·        Desprexo aos exageros barrocos (inutilia truncat);
·        Aurea mediocritas;
·        Fugere urbem;
·        Poesia épico-nativista (prenúncio do Romantismo).

è Autores:

a)   Cláudio Manuel da Costa;
b)   Tomás Antônio Gonzaga;
c)   Silva Alvarenga;
d)   Alvarenga Peixoto;
e)   Basílio da Gama;
f)    Santa Rita Durão.

EXERCÍCIOS SOBRE O ARCADISMO

01. Assinale o que não se refere ao Arcadismo:
 
a) Época do Iluminismo (século XVIII) – Racionalismo, clareza, simplicidade.
b) Volta aos princípios clássicos greco-romanos e renascentistas (o belo, o bem, a verdade, a perfeição, a imitação da natureza).
c) Ornamentação estilística, predomínio da ordem inversa, excesso de figuras.
d) Pastoralismo, bucolismo suaves idílios campestres.
e) Apóia-se em temas clássicos e tem como lema: inutilia truncat (“corta o que é inútil”).


02. Indique a alternativa errada:

a) Cultismo e conceptismo são as duas vertentes literárias do estilo barroco.
b) O arcadismo afirmou-se em oposição ao estilo barroco.
c) O conceptismo correspondeu a um estilo fundado em “agudezas”ou “sutilezas”de pensamento, com transições bruscas e associações inesperadas entre conceitos.
d) O cultismo correspondeu sobretudo a um jogo formal refinado, com uso abundante de figuras de linguagem e verdadeiras exaltação sensorial na composição das imagens e na elaboração sonora.
e) O Arcadismo tendeu à obscuridade, à complicação lingüística e ao ilogismo.


Nos exercícios 3 e 4, assinale, em cada um, a(s) afirmação(ões) improcedente(s) sobre o Arcadismo.

(Podem ocorrer várias em cada exercício).

03.  A respeito da época em que surgiu o Arcadismo:

a) o século XVIII ficou conhecido como “século das luzes”;
b) os “enciclopedistas”construíram os alicerces filosóficos da Revolução Francesa;
c) o adiantamento cientifico é uma das marcas desta época histórica;
d) a burguesia conhece, então, acentuado declínio em seu prestígio;
e) em O Contrato Social, Rousseau aborda a origem da Autoridade.


04. Quanto à linguagem árcade:

a) prefere a ordem indireta, tal como no latim literário;
b) tornou-se artificial, pedante, inatural;
c) procura o comedimento, a impessoalidade, a objetividade;
d) manteve as ousadias expressionais do Barroco;
e) promove um retorno às “virtudes clássicas”da clareza, da simplicidade e da harmonia.


05. Entre os escritores mais conhecidos do “Grupo Mineiro”, estão:

a) Silva Alvarenga, Mário de Andrade, Menotti del Picchia.
b) Santa Rida Durão, Cecília Meireles, Tomás Antônio Gonzaga.
c) Basílio da Gama, Paulo Mendes Campos, Alvarenga Peixoto.
d) Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto.
e) Alvarenga Peixoto, Fernando Sabino, Cláudio Manuel da Costa.


06. Qual a alternativa que apresenta uma associação errada?

a) Barroco / Contra-Reforma.
b) Arcadismo / Iluminismo
c) Romantismo / Revolução Industrial.
d) Arcadismo / Anti-Classicismo
e) Arcadismo / Racionalismo


07. Poema satírico sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Menezes, que governou a Capitania das Minas de 1783 e 1788:

a) Marília de Dirceu
b) Vila Rica
c) Fábula do Ribeirão do Carmo
d) Caras Chilenas
e) O Uruguai


08. Em seu poema épico, tenta conciliar a louvação do Marquês de Pombal e o heroísmo do índio. Afasta-se do modelo de Os Lusíadas e emprega como maravilhoso o fetichismo indígena.

São heróis desse poema:

a) Cacambo, Lindóia, Moema
b) Diogo Álvares Correia, Paraguaçu, Moema
c) Diogo Álvares Correia, Paraguaçu, Tanajura
d) Cacambo, Lindóia, Gomes Freira de Andrade
e) n.d.a.


09. (ITA) Uma das afirmações abaixo é incorreta. Assinale-a:

a) O escritor árcade reaproveita os seres criados pela mitologia greco-romana, deuses e entidades pagãs. Mas esses mesmos deuses convivem com outros seres do mundo cristão.
b) A produção literária do Arcadismo brasileiro constitui-se sobretudo de poesia, que pode ser lírico-amorosa, épica e satírica.
c) O árcade recusa o jogo de palavras e as complicadas construções da linguagem barroca, preferindo a clareza, a ordem lógica na escrita.
d) O poema épico Caramuru, de Santa Rita Durão, tem como assunto o descobrimento da Bahia, levado a efeito por Diogo Álvares Correia, misto de missionários e colonos português.
e) A morte de Moema,índia que se deixa picar por uma serpente, como prova de fidelidade e amor ao índio Cacambo, é trecho mais conhecido da obra O Uruguai, de Basílio da Gama.


10. (ITA) Dadas as afirmações:

I) O Uruguai, poema épico que antecipa em várias direções o Romantismo, é motivado por dois propósitos indisfarçáveis: exaltação da política pombalina e antijesuitismo radical.

II) O (A) autor(a) do poema épico Vila Rica, no qual exalta os bandeirantes e narra a história da atual Ouro Preto, desde a sua fundação, cultivou a poesia bucólica, pastoril, na qual menciona a natureza como refúgio.

III) Em Marília de Dirceu, Marília é quase sempre um vocativo; embora tenha a estrutura de um diálogo, a obra é um monólogo – só Gonzaga fala, raciocina; constantemente cai em contradição quanto à sua postura de Spastor e sua realidade de burguês.

Está(ão) Correta(s):

a) Apenas I
b) Apenas II
c) Apenas I e II
d) Apenas I e III
e) Todas

OBRAS LITERÁRIAS
PSS I
- ANÁLISE CRÍTICA –


è   Gol de padre e outras crônicas, de Stanislaw Ponte Preta.

1) SOBRE O AUTOR:
1.1 – Biografia
Escritor, jornalista, radialista e apresentador de TV, Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo do escritor Sérgio Porto, nasceu em janeiro de 1923 na cidade do Rio de Janeiro, onde cursou desde o ensino básico até o 3º ano de Arquitetura, mas abandonou os estudos para trabalhar no Banco do Brasil, aprovado em 3º lugar no Concurso Público. Após 22 anos de trabalho, largou o Banco para dedicar-se exclusivamente às atividades literárias. Nascido em Copacabana, viveu a vida inteira como homem da praia, campeão de futebol de areia (goleiro), atleta do Fluminense e depois, do América.
Sérgio Porto começou a escrever crônicas sobre cinema no Diário Carioca em 1951, sob o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. Era apaixonado por cinema e jazz de tal modo que escreveu “Pequena História do Jazz”, que hoje é uma obra muito prestigiada, publicada pelo Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura (saiu na Coleção Cadernos de Cultura). “O homem ao lado”, sua primeira coletânea de crônicas saiu em 1958, sendo reeditadas cinco anos depois sob o título de “A casa demolida”.
Depois disso, sua carreira artística deslanchou: crônicas e reportagens para jornais e revistas, scripts para cinema, programas de rádio e televisão, traduções de peças teatrais. Seu pseudônimo literário, Stanislaw Ponte Preta passou a ser conhecido em todo o país. Esse nome surgiu da necessidade de se criar um “personagem novo, um tipo cabotino, para contar notícias sofisticadas, uma mistura de crítica teatral e café society”.
Sérgio Porto publicou, como Stanislaw Ponte Preta, nada menos que sete coletâneas de crônicas, recolhidas numa espécie de antologia pela Editora Olímpio, em 1989. Ele era um observador meticuloso e atento da realidade carioca, dotado de um raro senso de humor, ironia e extraordinário senso crítico, sabendo representar muito bem o drama e a comédia do cotidiano do Rio de Janeiro.
Ponte Preta marcou sua presença em nossa literatura pela “capacidade de comunicar-se com todos os leitores, desde os mais apressados e superficiais aos mais reflexivos e requintados”. Ele sabia detectar e satirizar com precisão as deformações existentes na vida urbana, absorta no constante no vício do consumismo. Criador de tipos humanos – o que é difícil e também raro na crônica, criou Tia Zulmira, “a sábia ermitã da Boca do Mato”, o Primo Altamirando, “cínico e gozador”, o distraído Rosamundo, o dr. Data Vênia, “manipulador feroz dos lugares-comuns”, entre outros.
Além de cronista, foi também novelista: seis de suas novelas estão reunidas no volume “As Cariocas”. “Garota de Ipanema” foi publicada em “A cidade e as ruas”, coletânea de vários autores.
Pode-se dizer que Ponte Preta é o cronista brasileiro por excelência, pelo fato de ter registrado as manifestações e atitudes que o Rio de Janeiro começava a importar das modernas sociedades de consumo. Daí suas crônicas serem atuais, pois conservam uma temática contemporânea e continuam sendo lidas com prazer e interesse. Por outro lado, sua prosa se renova a cada leitura, através de sua linguagem coloquial, “saindo do campo circunstancial para transcender aos limites de uma obra duradoura”.
1.2. Características
a) Sua obra caracteriza-se pelo humor, ironia e malícia;
b) Apresenta variação temática;
c) Retrata os momentos cômicos do nosso cotidiano;
d) O autor gosta de comizar as tragédias;
e) Utiliza a linguagem formal para construir seu texto.
2) TÓPICOS SOBRE CRÔNICA:
A crônica é um gênero literário que, a princípio, era um "relato cronológico dos fatos sucedidos em qualquer lugar"1, isto é, uma narração de episódios históricos. Era a chamada "crônica histórica" (como a medieval). Essa relação de tempo e memória está relacionada com a própria origem grega da palavra, Chronos, que significa tempo. Portanto, a crônica, desde sua origem, é um "relato em permanente relação com o tempo, de onde tira, como memória escrita, sua matéria principal, o que fica do vivido".
Características da crônica:
1. Prosa ligada à vida cotidiana;
2.
Narrativa informal, familiar, intimista;
3.
Uso da oralidade na escrita: linguagem coloquial;
4.
Sensibilidade no contato com a realidade;
5.
Síntese e leveza;
6.
Uso do fato como meio ou pretexto para o artista exercer seu estilo e criatividade;
7.
Diz coisas sérias por meio de uma aparente conversa fiada;
8.
Uso do humor;
9.
Brevidade;
10.
É um fato moderno: está sujeita à rápida transformação e à fugacidade da vida moderna.

TEXTOS  E ATIVIDADES PARA A COMPREENSÃO
GOL DE PADRE

Da janela eu vejo os garotos no pátio do colégio, durante o recreio. Sempre me dá uma   certa saudade, porque eu já fui  menino. Aliás, embora pareça incrível, até mesmo pessoas como o senhor Jânio Quadros ou Dom Helder Câmara ou mesmo a  veneranda tia Zulmira já foram crianças. O importante é não deixar nunca que o menino morra completamente dentro da gente,  quando a gente fica adulta. Pobre daquele que abdicar completamente de gostos infantis. Ficará velho muito mais depressa. O  menino que a pessoa conserva em si é um obstáculo no caminho da velhice.
Dizem até que é por isso que os chineses – de incontestável sabedoria – conservam o hábito de soltar papagaio (ou pipa, se  preferem) mesmo depois de homens feitos. Não sei se é verdade. Nunca fui chinês.
Mas, quando começa o recreio no colégio, da minha janela vejo o pátio e, quando a campainha toca, para o intervalo das  aulas, paro de trabalhar e fico na janela, como se estivesse no recreio também.
Agora mesmo os meninos estão lá, saindo de todas as portas para o meio do pátio, onde um padre, com uma bola de futebol  novinha debaixo do braço, escolhe os times para um jogo de futebol. Os garotos reclamam esta ou aquela escolha, mas o padre deve ter fama de zangado, pois basta alguém reclamar, que ele, com um simples olhar, cala o reclamante.
– Você, ao lado de cá; você aí, para o lado de lá – vai ordenando o austero sacerdote.
Quando os times já estão formados, ele vai até o meio do pátio, onde seria o meio do campo, se ali houvesse um campo demarcado, coloca a bola no chão e supervisiona um “par ou ímpar” entre os dois centroavantes. O vencedor dará a saída.
Ministro de Deus deve ser superior às paixões clubísticas e vejo o padre apitar o jogo com tal precisão e com tamanha autoridade que fico a imaginar: um padre, em dia de decisão de Campeonato, pode perfeitamente resolver o problema sempre premente de arbitragem.
Um garoto pegou a bola em off-side clamoroso, como dizem os locutores esportivos. O padre apita, mas o garoto finge que não ouve, foge pelo centro e emenda um bico, que passa pelo quíper adversário e vai para o fundo das redes imaginárias. Todo o time do goleador grita e corre para abraçar o companheiro. O padre, impassível, está apontando para o local onde o jogador pegou a bola em off-side.
Este juiz é fogo, expulsou o que fizera o gol, por não ter respeitado o seu apito, e expulsou um outro do mesmo time,  porque reclamara contra a sua decisão. Depois olha  em volta, vê dois garotos sentados num banquinho, lá atrás, e chama-os para substituir os indisciplinados. Os dois correm felizes para preencher as vagas. Sua senhoria dá nova saída e prossegue a “pelada”. Futebol de garoto é muito mais de ataque do que de defesa. Os técnicos do nosso futebol, que  tanto têm contribuído para enfear o espetáculo do esporte do século, armando mais as defesas do que os ataques, na  ânsia de não perder o emprego diante de uma goleada adversária, podiam aprender muito com futebol de garoto. O  principal é marcar mais gols, e não – como querem os ditos técnicos – sofrer menos gols.
Baseados nesta verdade nascida com o próprio futebol, o escore no jogo dos garotos, neste momento, é de 14 a 12.
E aí vem mais gol. O padre acaba de marcar um pênalti contra o time do lado de lá. Um garoto da defesa segurou outro  garoto do ataque adversário e tirou-lhe a camisa para fora das calças, sob estrepitosa gargalhada de todo o recreio,  menos do padre. Este deu o pênalti, mas com a cara amarrada que vinha conversando até ali.
Bola na marca, camisa pra dentro das calças outra vez, o garoto que sofrera a falta correu e diminuiu a diferença.
Agora está 14 a 13, mas não há tempo para o empate. A campainha soa estridente no pátio do colégio e o “juiz” dá por encerrado o tempo regulamentar, com a vitória do time do lado de cá.
Pouco a pouco os meninos vão retornando para suas salas, pelas mesmas portas por onde saíram. O padre ficou sozinho no pátio. Caminhou até a bola e colocou-a outra vez debaixo do braço, sempre com um ar sério e compenetrado.
Eu estava a pensar que ele era desses que deixaram de ser meninos para sempre, quando ele me surpreende.
Olha para os lados, certifica-se de que está sozinho no recreio e então joga a bola para ao ar, controla no peito e  deixa a bichinha rolar pelo chão. Levanta a batina e sai veloz pela ponta, dribla um zagueiro imaginário e, na corrida, emenda no canto, inaugurando o marcador.
Só faltou, ao baixar novamente a batina, voltar correndo para o meio do campo, com os braços levantados a gritar:
Goooooooolllll!!!!

PONTE PRETA, Stanislaw. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo:Ática,2002.

1. Cada personagem do texto narrativo traz características próprias que o diferenciam dos demais. Que traços do comportamento do padre ficam evidenciados no início da crônica?
____________________________________________________________________________

2. Que trecho da crônica relaciona o personagem do padre com este comentário: “O importante é não deixar nunca que o menino morra completamente dentro da gente” ?
____________________________________________________________________________

3. O que torna o desfecho do texto surpreendente?
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4. O texto apresenta um  narrador-observador, ou seja, ele não é um dos personagens da crônica.  Certo ou Errado? Justifique, retirando uma frase do texto.
5.   No trecho “O padre acaba de marcar um pênalti contra o time do lado de lá. Um garoto da defesa segurou outro garoto do ataque adversário e tirou-lhe a camisa para fora das calças, sob estrepitosa gargalhada de todo o recreio, menos do padre”, substitua a palavra sublinhada por outra que não altere o original do texto.
____________________________________________________________________________

6.    Como toda narrativa, a crônica possui elementos próprios desse tipo de texto. Crie um quadro a partir da leitura de “Gol de padre”, conforme o modelo abaixo:


7. Por que podemos caracterizar este texto como uma crônica? Apresente duas características. A seguir, retire exemplos que as comprove.
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FÁBULA DOS DOIS LEÕES

Diz que eram dois leões que fugiram do jardim zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram  os leões de todo jeito mas ninguém encontrou.
Vai daí, depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas da Tijuca. Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado que arranjasse vaga para ele  no jardim zoológico outra vez, porque ninguém via vantagem em reintegrar um leão tão carcomido assim. E, como  deputado arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.
Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá  um dia, o bruto foi recapturado. Voltou para o jardim zoológico gordo, sadio, vendendo saúde.
Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para as florestas da Tijuca disse para o coleguinha: - Puxa,  rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde? Eu, que fugi para  as matas da Tijuca, tive que pedir arrego, porque quase não encontrava o que comer, como é então que você... vá,  diz como foi.
O outro leão então explicou:- Eu meti os peitos e fui me esconder numa repartição pública. Cada dia eu  comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.
- E por que voltou pra cá? Tinham acabado os funcionários?
- Nada disso. O que não acaba no Brasil é funcionário público. É que eu cometi um erro gravíssimo. Comi o  diretor, idem um chefe de seção, funcionários diversos, ninguém dava por falta. No dia em que eu comi o cara que  servia o cafezinho... me apanharam.

(PONTE PRETA, S. Gol de padre e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2007.)

Questão  01
No texto, a figura pública de deputado é vista como a que
[A] oferece trabalho a correligionários por quem ele se interessa.
[B] trabalha como funcionário público representando pessoas que o elegeram.
[C] emprega pessoas em repartição pública mesmo que não seja necessário.
[D] divide com seus assessores o ganho relativo a projetos da área social.

Questão  02
Sobre as críticas inferidas da fábula, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
(      ) A enorme quantidade de funcionários públicos.
(      ) A força do imposto de renda representado pela figura do leão.
(      ) A importância do cafezinho em repartição pública.
Assinale a sequência correta.
[A] V, V, V
[B] F, V, F
[C] F, F, F
[D] V, F, V

Questão  03
O texto foi denominado fábula porque
[A] apresenta personagens do mundo animal com características de ser humano. 
[B] trata de assunto do cotidiano de forma leve, mas com reflexões aprofundadas.
[C] transforma a realidade por meio da ficção, preocupando-se com a maneira de narrar.
[D] traz animais como personagens com intuito de apresentar informações sobre algum assunto.

Questão  04
O Diz que, no início do texto, relaciona-se com o Era uma vez das histórias infantis. Esse recurso denomina-se
[A] metáfora.
[B] intertextualidade.
[C] denotação.
[D] metonímia.

Questão  05
Sobre termos/expressões do texto, assinale a afirmativa INCORRETA.
[A] Vai daí (linha 4) indica progressão de ação no texto.
[B] assim (linha 6) retoma uma ideia já dita, enfatizando-a.
[C] vá (linha 12) pode ser substituído por anda logo, rápido!
[D] Mal (linha 10) contrapõe-se ao sentido de bom, caracterizando um leão.

Questão  06
Assinale o trecho que apresenta marcas de linguagem oral, coloquial.
[A] Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores.
[B] E, como deputado arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.
[C] Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade.
[D] Puxa, rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde?

Questão  07
Assinale a correlação INCORRETA entre elemento coesivo dado e o sentido no texto.
[A] esse (linha 11) → um dia
[B] idem (linha 18) → comi
[C] disso (linha 17) → acabar os funcionários
[D] dele (linha 15) → funcionário

Questão  08
Sobre as formas verbais no trecho “Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá um dia, o bruto foi recapturado.”, assinale a afirmativa correta.
[A] Passaram está no pretérito perfeito, indicando uma ação concluída.
[B] lembrava está no pretérito mais-que-perfeito, indicando uma ação passada à outra também passada.
[C] fugira está no futuro do pretérito, indicando uma ação que iria ser realizada no passado.
[D] foi recapturado está no pretérito imperfeito composto, indicando ação contínua no passado.

O GRANDE MISTÉRIO

1 Há dias que buscavam uma explicação para os odores esquisitos que vinham da sala de visitas. Primeiro houve um erro de interpretação: o quase imperceptível cheiro foi tomado como sendo de camarão. No dia em que as pessoas da casa notaram que a sala fedia, havia um suflê de camarão para o jantar. Daí...
Mas comeu-se o camarão, que, inclusive, foi elogiado pelas visitas, jogaram as sobras na lata do lixo e — coisa estranha — no dia seguinte a sala cheirava pior.
Talvez alguém não gostasse de camarão e, por cerimônia, embora isso não se use, jogasse sua porção debaixo da mesa. Ventilada a hipótese, os empregados espiaram e encontraram apenas um pedaço de pão e uma boneca de perna quebrada, que Giselinha esquecera ali. E como ambos os achados eram inodoros, o mistério persistiu
.
Stanislaw Ponte Preta. In: Gol de padre e outras
crônicas. Ática, 2000, p. 20 (com adaptações).

Com base no texto acima, julgue os próximos itens.
(_____) Conclui-se dos dois períodos finais do texto que o pedaço de pão era o responsável pelos “odores esquisitos” da sala de visitas.
(_____)A flexão de plural em “odores” segue a mesma regra do plural das palavras calor, amor e suor.
(_____) Se a forma verbal “vinham” tivesse de ser escrita em duas linhas separadas, sua separação seria: vin-ham.
(_____) A retirada da forma verbal “sendo” do período em que é empregada não prejudica nem a correção gramatical nem a coerência do texto.
(_____) Preservam-se as idéias e a correção gramatical do texto ao se substituir o trecho “de camarão. No dia em que” por: de camarão porque, no dia, em que.
(_____) Na linha 5, o que poderia tomar o lugar do sinal de reticências,mantendo a coerência e a correção do texto, seria: a explicação do mau-cheiro.
(_____) Na linha 6, a forma verbal “foi elogiado” está empregada no singular e no masculino porque concorda com “camarão”.
(_____) A expressão opinativa “coisa estranha” refere-se ao fato de a lata de lixo ter ficado na sala de visitas


è O Noviço e O Judas em sábado de aleluia, de Martins Pena.

O Noviço, de Martins Pena

Análise da obra

Escrito em 1845 e representada pela primeira vez no Teatro São Pedro (Rio de Janeiro), em 10 de agosto do mesmo ano, talvez seja o texto mais bem construído de todas as comédias de Martins Pena, O Noviço é ainda hoje encenado, como convém a um clássico da nossa literatura dramática.

Tematizando a liberdade de escolha entre os jovens, O Noviço é uma comédia romântica que explora de maneira interessante o maniqueísmo típico desse estilo literário: na dualidade entre enganados e enganadores, entre fracos e fortes, enfim, entre o bem e o mal, há uma união do primeiro pólo - o pólo dos enganados, dos fracos, do bem - que assim se reforça e consegue vencer o segundo: o pólo dos enganadores, dos fortes, do mal...

Estilo

As características românticas de O Noviço são o maniqueísmo, o "happy end", a temática da liberdade e a presença da cor local. Mas existem alguns elementos nesta peça que não se ajustam ao romantismo, como por exemplo, a denúncia social que se dá por meio do humor, da sátira e das caricaturas, e o comportamento pouco convencional, em termos de heroísmo romântico, de seu herói: Carlos utiliza-se de meios moralmente pouco recomendáveis para atingir o que pretende, aproximando-se deste ponto de vista do vilão, Ambrósio. Além disso, a união dos fracos e enganados (Florência e Rosa) contra a força (Ambrósio), transformando em capacidade de luta a submissão e em esperteza a ingenuidade, constitui recurso pouco freqüente nos textos tradicionalmente românticos.

Estrutura da obra

É dividido em três atos, em vez de possuir apenas um, como a maioria dos outros trabalhos, podendo, assim, desenvolver melhor tanto a trama quanto os tipos.

No primeiro ato apresentam-se o hipócrita e interesseiro Ambrósio, que casou com a crédula Florência; o noviço Carlos que com mais vocação para militar fugiu do convento para casar-se com Emília (filha de Florência e sua prima). Aparece também Rosa, primeira esposa de Ambrósio (não havia divórcio na época), que foi abandonada por ele após ter seus bens roubados. Carlos encontra Rosa e esta fornece-lhe meios para chantagear Ambrósio e permitir-lhe sair corretamente do convento, retirar Emília e Juca (irmão mais novo de Emília) da vida religiosa que Ambrósio planejava para eles e casar com Emília. A chantagem ocorre no segundo ato, junto com a revelação a Florência de que o marido é bígamo; Ambrósio foge.

No terceiro ato, após muita confusão, Ambrósio é preso, Carlos liberto de ir ao convento ou ser preso (ele atacara um frade na fuga) e o casal fica livre para casar.

A peça toda lembra as comédias pastelões dos anos 10, com personagens caricatos, situações mirabolantes, perseguições e violência gratuita.

Personagens

As personagens da peça não não possuem densidade psicológica, já que são constituídas por meio de estereótipos e de recursos caricaturais que as transformam em "tipos":

Ambrósio - malandro trapalhão, um consumado velhaco que acredita que "os meios justificam os fins".

Florência - mulher de Ambrósio, submissa e ingênua.
Emília - enteada de Ambrósio
Juca - menino de 9 anos, filho de Florência
Carlos - noviço da Ordem de São Bento, sobrinho de Florência
Rosa - provinciana, primeira mulher de Ambrósio
Padre-mestre dos noviços
Jorge

José - criado
1 meirinho, que fala
2 ditos, que não falam
Soldados de Permanentes, etc.


Enredo

O noviço  traz basicamente a história de Carlos, rapaz endiabrado, que é enviado a um convento por decisão de sua tia e tutora. Não tendo vocação para a vida religiosa, Carlos foge do convento e dedica-se a desmascarar o ambicioso Ambrósio, segundo marido de sua tia.  A seguir organiza-se a seqüência de ações que desenvolvem  a essência dessa narrativa.

A peça inicia-se  com Ambrósio Nunes em uma sala ricamente decorada.  Preparando-se para ir à  igreja com sua mulher Florência,  o personagem afirma em tom cínico que mudara  sua  vida de homem pobre em oito anos. Fora miserável, mas valendo-se de determinação, perspicácia e destituído de qualquer escrúpulo tornara-se rico, condição que lhe conferia poder e lhe garantia  plena impunidade.  É interrompido por Florência que lhe apressa, dizendo que é necessário chegar cedo para sentarem-se nos primeiros bancos e, assim, poderem assistir confortavelmente à missa de Ramos. Ambrósio, com delicadeza de fala e gestos, pergunta à esposa como anda o projeto de encaminhar a enteada Emília para o convento e satisfaz-se com a notícia de que tudo corre como ele desejaria. Com muita habilidade, Ambrósio enfatiza  a idéia de que a herança deixada pelo primeiro marido de Florência nunca o atraiu, revela que sua paixão  sempre foi espontânea e pura e, de certo modo, lhe é até um tanto penoso administrar a fortuna do  nobre falecido, no entanto, cabe ao marido zelar pela esposa amada. Desse modo, toma para si a incumbência de cuidar do dinheiro.

Florência cede  às propostas aparentemente sinceras do marido e concorda em encaminhar não somente a filha para o claustro, mas também incentivar seu filho Juca de nove anos para ser frade, acreditando que dessa maneira estaria proporcionando aos dois uma vida virtuosa  e verdadeiramente feliz. Ambrósio, com a intenção deliberada de controlar toda a situação familiar, mostra-se preocupado com a possibilidade de Carlos, sobrinho tutelado de Florência, vir a se revoltar  contra o noviciado que lhe fora  imposto há  seis meses e causar aborrecimentos ao casal. Encerra-se a conversa. Ambrósio retira-se para acabar de vestir-se. Florência está a agradecer a Deus o marido que tem, quando Emília entra na sala. A mãe aproveita o momento para expor à filha as vantagens que a vida de freira proporciona, Emília chora e, contrariada, declara não ter inclinação para o claustro. A mãe, insensível à dor da filha, abandona a sala  e sobe ao sótão para aprontar-se para a missa.

Inesperadamente, Carlos, vestido de frade, entra afobado e conta à Emília que havia fugido do convento, após discussão que acabara com uma barrigada no Abade Mestre.  Irado, manifesta o desejo de ser militar, de envolver-se em lutas com espadas e não se submeter a jejuns prolongados e a coros e rezas infindáveis. A moça, comovida, ouve o relato dos  martírios sofridos pelo noviço rebelde e lhe conta que também ela deverá entrar para um convento. Carlos revolta-se, declara o seu amor pela prima, acusa severamente Ambrósio de estar conspirando contra todos. Promete que não descansará enquanto não vingar-se  do velhaco Ambrósio. Em meio a conversa, o garoto Juca, desajeitado em um hábito de frade,  corre para o colo de Carlos, que percebe claramente o plano do marido da tia: filhos e enteados dedicados à vida religiosa seriam obrigados a fazer votos de pobreza, o que garantiria a posse de todos os bens por parte de Ambrósio. Emília e Juquinha saem da sala.

Batem à porta. Rosa entra na sala e com  muita reverência dirige-se a Carlos, imaginando ser ele um frade. Conta-lhe que está à procura de seu  marido Ambrósio Nunes, que há seis anos a abandonara em Maranguape, de posse de sua fortuna, a pretexto de investimentos lucrativos em Montevidéu. Sem notícias, ela chegou a pensar que ele tivesse morrido, mas uma pessoa informara-lhe de que estava o fujão na corte, e estava ela ali, no momento, após longa  viagem e andanças pelo Rio de Janeiro. Carlos, aproveita-se do engano da mulher e, fingindo ser bom capuchinho, investiga detalhes da história e recebe, como prova da veracidade dos fatos relatados, uma cópia da certidão de casamento de Rosa e Ambrósio. Promete ajudá-la e pede-lhe que aguarde alguns momentos em um quarto da casa. Florência, o marido e a filha, prontos para saírem, deparam-se com Carlos. Ambrósio cobra de Carlos obediência. O moço ironicamente desafia o marido da tia por meio de frases ambíguas, dando a entender que conhecia a história pregressa de Ambrósio. Este se enfurece e passa a fazer-lhe exigências. Carlos o toma  pelo braço, abre a porta do quarto e mostra-lhe Rosa. O tio desorganiza-se, corre e arrasta violentamente para fora da casa mulher e enteada.

Carlos diverte-se com a aflição do cínico tio e expõe à Rosa a atual condição de Ambrósio. A mulher traída não resiste. Desmaia. Cria-se um alvoroço. Juquinha é chamado a ajudar; apanha um galheteiro, Carlos a faz cheirar vinagre, azeite, tentado-lhe restituir os sentidos. Em meio a intensa agitação, ouvem-se meirinhos  aproximarem-se. Dirigem-se eles a casa para efetuarem a prisão do travesso noviço. Carlos faz a mulher acreditar que Ambrósio é poderoso e que os oficiais batiam à porta  para prendê-la. Propõe a ela que trocassem vestimentas. Rosa vestiria  seu hábito de religioso, e ele, suas vestes de mulher. Desse modo, estaria ela a salvo da fúria dos meirinhos e ele seria preso em seu lugar. Rosa ingenuamente aceita a proposta. Juca a encaminha  para um quarto. Carlos, travestido de mulher, recebe dissimuladamente o Mestre de Noviços e os meirinhos. Faz-se passar por tia do noviço endiabrado, aponta o esconderijo e orienta a maneira segura de surpreender e prender o sobrinho. Os oficiais entram no quarto, capturam o falso noviço e o levam para o convento.

Carlos  diverte-se imaginando a confusão que aconteceria  quando o Abade percebesse que uma mulher fora presa em seu lugar. Pede a Juca que  ficasse à janela e o avisasse da chegada  do padrasto.

Ambrósio, perturbado, invade a sala. Havia deixado Florência e Emília na igreja.  A sua agitação é tamanha que se dirige a Carlos, pensando ser ele Rosa. O sobrinho aproveita-se do engano e diverte-se, respondendo às perguntas de Ambrósio como sendo sua primeira esposa. Chega inclusive a atirar-se aos pés de Ambrósio em pranto exagerado. Nesse instante, o tratante Ambrósio percebe o equívoco. Irrita-se com o descaramento do sobrinho, que imediatamente lhe contém a fúria, mostrando a certidão que estava em seu poder. O tom da cena inverte-se: Ambrósio humilha-se, implora a Carlos que nada revele à Florência. Dono da situação, o rapaz faz exigências:  abandonará o noviciado, receberá a herança deixada pelo pai; Emília não será freira, e  ele terá o consentimento para casar-se com a prima.  Ambrósio, de joelhos, aceita as imposições e suplica piedade de Carlos.

Subitamente,  Florência e Emília entram na sala  e há novo equívoco: Florência acredita ter flagrado o marido em traição.  Sente-se desgraçada e num assombro se dá conta de que é o sobrinho que subjuga Ambrósio. Pede explicações para aquela patifaria  e, cinicamente, Carlos afirma que estavam encenando uma comédia para o sábado de Aleluia. A tia, atônita, ouve ainda o rapaz trapalhão declarar o acordo que fizera com Ambrósio. Este vai interrompendo a fala de Carlos com argumentos incontestáveis. Diz à mulher que fora um erro encaminhá-lo ao convento, pois não se pode impedir que os jovens possam realizar o amor tão genuíno que sentem. Carlos acrescenta que como prova de agradecimento cederá metade de seus bens em favor do tio bondoso e lhe entrega a certidão de casamento como se entregasse o termo de cessão de parte da fortuna. Ambrósio rasga o papel, dissimulando total desinteresse pela doação. Florência sente-se abençoada por ter casado com um homem tão honrado e chega a vangloriar-se da própria capacidade de distinguir o amante sincero entre tantos pretendentes que tivera logo após a viuvez. Elogia as qualidades do marido, que insiste não ser merecedor de tanta reverência.

Felizes, Emília e Carlos acertam o casamento para dali a quinze dias. Nem bem confirmam o enlace matrimonial, o Mestre dos Noviços surge para efetuar a prisão do noviço fujão.  O religioso  declara enraivecido o constrangimento que passara diante do Abade ao cair novamente em uma cilada de Carlos, quando levou ao convento uma mulher. Diante das declarações do Mestre,  Ambrósio perturba-se e tenta saber do paradeiro da tal mulher. Florência desconfia das intenções do marido. A confusão está armada: o Mestre arrasta o noviço para fora da casa; a tia não consegue impedir a prisão do sobrinho, mesmo dizendo que Carlos abandonaria a vida religiosa e que ela mesma diria isso ao Abade.
O clima na casa é de confusão. Ambrósio mostra-se atordoado, Florência pede explicações para ter sido levada apressadamente para a igreja e ter sido lá deixada. Ambrósio rapidamente dissimula a própria aflição. Tenta abraçar a esposa que se revela arredia, exigindo que se esclareça a identidade da mulher que fora presa em lugar do sobrinho. Acuado,  Ambrósio inventa ser a tal mulher uma antiga namorada, que não se conformara com o fato de ter ele se casado. Confessa o erro  cometido ao envolver-se na juventude com aquela moça. Diz-lhe, no entanto, que a causa da separação fora o amor incontido que sentiu desde o primeiro momento que viu Florência. O discurso amoroso de Ambrósio é interrompido por Rosa, vestida de frade. Esta, entregando a certidão a Ambrósio, interpõe-se ao casal, gritando que aquele homem lhe pertencia. Ambrósio corre pela casa, tentando escapar. Nesse momento, ouve-se a ordem de prisão ao bígamo. Enquanto isso se passa, Florência, estarrecida, lê  a certidão de casamento de Rosa Lemos e Ambrósio Nunes.

Muda-se o cenário. Florência, recolhida no quarto de Carlos, para evitar contato com o ambiente em que vivera momentos felizes ao lado do marido farsante, chora convulsivamente e é confortada pela filha. Está assim prostrada há oito dias. Nada a anima, nem mesmo os remédios receitados por um médico da família. Emília afirma ser necessário que a mãe reaja e, desse modo, vingue-se de tanta traição. Florência diz que seu procurador está encaminhando um mandado de prisão e que quer enviar uma carta ao Abade, explicando-lhe os fatos e pedindo-lhe o favor de mandar um representante do convento para que ela se justificasse pessoalmente pelos transtornos causados. Decide, então, que o criado José fosse o portador da carta.

Nova surpresa:  Carlos mais uma vez havia fugido do claustro. Apressado, invade os fundos da casa, com o hábito roto e sujo, as mãos esfoladas, joelhos machucados. Entra em seu antigo quarto. Ouve a voz do padre-mestre, esconde-se embaixo da cama em que está deitada a tia.  Emília acompanha o padre até os aposentos onde está Florência, que acorda meio atordoada. Estava ele incumbido novamente de efetuar a prisão do noviço indomável. Florência e Emília surpreendem-se com a notícia de que Carlos tivesse escapado novamente das grades do convento.  Enquanto Florência expõe a sua decisão de livrar Carlos do noviciado, Emília percebe a presença do amado embaixo da cama. O padre-mestre retira-se da casa, aliviado por não ter mais que se haver com as diabruras de Carlos.

Florência lamenta-se da tragédia que lhe acometera.  Emília se mostra comovida e comporta-se como se não soubesse o paradeiro do primo, mesmo este lhe puxando as saias e fazendo-lhes cócegas nas pernas. Chega a casa Ambrósio, trajando-se como um frade, seguindo o criado José até o quarto de Florência. Há novo equívoco.  Florência imagina ser o frade o representante que requisitara ao Abade e passa a lhe contar a trama de que fora vítima.  Ambrósio, não suportando ouvir tantas acusações, denuncia-se, retirando o capuz, revelando, assim, a sua real identidade. Revela à mulher que as portas da casa estão trancadas e que ninguém poderá lhe socorrer os gritos. Impõe que lhe entregue dinheiro e jóias, enfim, tudo que ela possuísse; caso contrário, só restaria a alternativa de matá-la.  Nesse momento, se esclarece mais um mal-entendido: José, fiel a Ambrósio, não tinha enviado a carta ao Abade, na verdade, tinha facilitado os planos de seu patrão.

Florência corre aos gritos pela casa, esconde-se em um canto coberta por uma colcha. Ambrósio, na correria, encontra Carlos, puxa-lhe pelo hábito, pensando tratar-se das saias de Florência. Carlos revida com uma bofetada. A tia permanece imóvel , coberta por uma colcha. Em seguida, entram quatro homens armados e o vizinho Jorge que vinha em socorro aos gritos que da rua se ouviam.  Florência diz que um ladrão travestido de frade tinha invadido a casa, mas já havia fugido. Os homens vasculham a casa e acabam dando com Carlos, que aos berros, sai debaixo da cama, e, tentando  proteger-se das agressões, mete-se atrás de um armário e o atira ao chão. O vizinho, ferido na perna, grita à Florência que o ladrão se escondia no quarto e havia escapulido por uma porta. Emília desvencilha-se do vizinho, agradece a ajuda e mando-o embora.  Insiste com a mãe que o frade era Carlos. A mãe retruca, afirmando que era o padrasto.

A tensão aumenta com a chegada de Rosa, que é recebida com certa amabilidade por Florência. As duas conversam a sós. Lamentam-se da inocência com que se entregaram ao vilão Ambrósio. Rosa apresenta à Florência a ordem de prisão contra o bígamo e queixa-se ao saber que Ambrósio há instantes escapara daquela casa.  De modo inesperado, arrebenta-se uma tábua do armário e Ambrósio, quase asfixiado, põe a cabeça de fora. Ambas mulheres atacam-no aos socos e pauladas. O farsante, aos gritos, suplica compaixão às duas esposas.

Entra no quarto Carlos, preso por Jorge e os soldados. Florência  desfaz o engano, dizendo que era seu sobrinho o que tomavam por ladrão.  Ambrósio esconde-se novamente no armário. Rosa, acompanhada de oficiais de justiça, entrega o mandado lavrado de prisão. O bígamo é retirado do armário e recebe a sentença de prisão. O Mestre de Noviços retorna a casa com a permissão de livrar Carlos do convento.  Antes de retirar-se, o religioso abençoa a futura união de Emília e Carlos. Ambrósio sai lamentando-se da punição recebida.

O Judas em sábado de Aleluia
A obra O Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, é uma comédia de costumes, escrita no final do século XIX, contendo apenas um ato e doze cenas.

Martins pena é um dos maiores dramaturgos brasileiros, o criador do Teatro Nacional. Na peça, ele zomba dos costumes sociais do Rio de Janeiro do século XIX, pois trata basicamente de um tema comum esboçado pelos autores românticos: das moças que buscam um noivo para si, bem como um reforço retratista da pequena burguesia: funcionários públicos, militares etc.

 Dotado de singular veia cômica, soube aproveitar o momento em que se intensificava a criação do teatro romântico brasileiro, que possibilitava tratar das situações e personagens do cotidiano, e mostrou a realidade de um país atrasado e, predominantemente, rural, fazendo a platéia rir de si mesma. Seus textos envolvem, sobretudo, flagrantes da vida brasileira, do campo à cidade. Assim, apresenta com temas principais, os problemas familiares, casamentos, heranças, dotes, dívidas, corrupção, injustiças, festas populares etc. Sua galeria de tipos compreende: funcionários públicos, padres, meirinhos, juízes, malandros, matutos, moças namoradeiras ou sonsas, guardas nacionais, mexeriqueiros, viúvas etc.

Na peça fica patente a crítica de Martins Pena à sociedade hipócrita que semeia visões distorcidas daquilo que é em sua interioridade podre. Percebe-se a crítica à moral burguesa com os seus desejos e certezas. Fica clara ainda a figura da esperteza de Faustino.

A história passa-se no Rio de Janeiro, no ano de 1844.

PERSONAGENS

JOSÉ PIMENTA, cabo-de-esquadra da Guarda Nacional
CHIQUINHA
MARICOTA e suas filhas
LULU (10 anos)
FAUSTINO, empregado público
AMBRÓSIO, capitão da Guarda Nacional
ANTÔNIO DOMINGOS, velho, negociante
Meninos e moleques


RESUMO

A história se desenrola na casa de Pimenta, cabo da guarda-nacional e pai de Maricota e Chiquinha. Estas duas moças, principalmente, Maricota sonham com o casamento. Sonho e desejo comum das jovens solteiras do século XIX. Para isso, resolveu namorar a tantos quanto pudesse. Isso permitiria a ela maiores oportunidades. Conforme ela mesma disse à irmã:

- Ora dize-me, quem compra muitos bilhetes de loteria não tem mais probabilidade de tirar a sorte grande do que aquele que só compra um? Não pode do mesmo modo, nessa loteria do casamento, quem tem muitas amantes ter mais probabilidade de tirar um para marido?


Já a sua irmã Chiquinha possuía uma atitude mais sôfrega. Não era dada a requestos tão intensos.

A história avoluma-se ou alcança um ponto inflexivo quando aparece a figura de Faustino à porta da casa para ter com Maricota. Faustino lamentoso, questiona o amor de Maricota por ele e afirma a infelicidade que habita a sua alma inquieta. Maricota diz que o ama. De repente chega o capitão da Guarda Nacional, que é um dos pretensos namorados de Maricota. Faustino assume o disfarce de Judas, que alguns meninos preparam para o Sábado de Aleluia. Portanto, este escuta a fala de Maricota com o capitão. Em seguida, chega ainda o pai de Maricota. Esta corre. Pimenta, o pai das duas donzelas, fica a tratar de negócios com o capitão. Conversam basicamente sobre a situação de indisciplina que anda a Guarda Nacional. Faustino disfarçado de Judas de aleluia escuta a conversa. O capitão retira-se.

Volta à sala a figura de Chiquinha para continuar a coser o seu vestido para a festa de sábado de aleluia. Em dado momento, esta suspira alto e confessa a sua paixão por Faustino. O rapaz deitado, disfarçado no chão, aproxima-se dela e é solidário ao amor da moça. Chiquinha sente-se envergonhada, mas se mostra crédula com a recepção do amor de Faustino. O pai retorna à sala, Chiquinha corre e Faustino se esconde. Pimenta dessa vez traz consigo a figura de Antônio. Os dois especulam sobre um negócio escuso que estão praticando no porto. E temem. Faustino absorve todas estas informações. Os dois homens temem ser descobertos pela polícia. Isso propiciaria um destino infausto. Faustino, deitado, ensaia uma voz que parece ser da polícia. Os dois encolhem-se de medo. Quando à porta bate o capitão. Pimenta e Antônio se atarantam. Finalmente, os três ficam juntos e entendem que algo misterioso se passava no interior daquela casa.

Os meninos que preparavam o Judas entram na sala para malharem-no. Faustino corre. Os presentes à sala se assustam com o espantalho que toma vida. Todos correm. Uns se escondem embaixo da mesa; outro sobe num móvel; outros ainda rolam no chão. Chiquinha não se altera por saber a identidade do espantalho Judas. De repente Faustino volta ao interior da casa ameaçado por algumas crianças que encontra na rua. Temendo a própria vida volta para ter com os que jaziam espantados. Martins Pena deixa transparecer a sua verve cômica nessa cena.

Começa a partir daí a vingança de Faustino. Este se põe no meio daqueles que dantes estavam espantados. O capitão, Antônio, Pimenta e Maricota ameaçam Faustino. Tal ameaça expressa claramente uma ignorância por parte dos personagens, que não têm conhecimento dos segredos adquiridos por Faustino. Este se apropria da fala e se vinga de cada um dos personagens. As suas intenções são manifestadas: Maricota se casa com Antônio (um velho). Suas intenções não graçam, não tomam vida. Ao cabo, Faustino beija o rosto de Pimenta, realizando o ato de Judas, o discípulo de Jesus, que o traiu com um beijo na face. Aqui o personagem ironiza e pede a mão de Chiquinha em casamento.

EXERCÍCIOS

1. (Carlos-2009) Sobre o livro de Martins Pena O Noviço é incorreto afirma que:

a) Escrito em 1845 e representada pela primeira vez no Teatro São Pedro (Rio de Janeiro), em 10 de agosto do mesmo ano;
b) Pertence ao gênero dramático.
c) Tematiza a liberdade de escolha entre os jovens;
d) É uma comédia romântica que explora de maneira interessante o maniqueísmo típico desse estilo literário
e) Predomina o gênero narrativo.

2. (Carlos-2009) Sobre o estilo do livro O Noviço, de Martins Pena é correto afirmar que:

a)          Pertence ao período do Barroco;
b)          Pertence ao período do Romantismo;
c)           Pertence ao período do Arcadismo;
d)          Pertence ao período do Neoclassicismo;
e)          Pertence ao período do Classicismo.


3.  (Carlos-2009) A característica que não está presente no livro O Noviço é:

a) maniqueísmo
b) o "happy end"
c) a temática da liberdade
d) a presença da cor local
e) não apresenta personagens “tipo”.

4. (Carlos-2009) É uma das características marcantes na obra O Noviço que teve pouco espaço no Romantismo:

a) a denúncia social
b) humor
c) a sátira
d) caricaturas
e) retrato da sociedade

5. (Carlos-2009) Sobre as personagens da obra O Noviço, associe:

(1) Ambrósio
(2) Florência
(3) Emília
(4) Juca
(5) Carlos
(6) Rosa

( ) malandro trapalhão, um consumado velhaco que acredita que "os meios justificam os fins".
( ) enteada de Ambrósio
( ) menino de 9 anos, filho de Florência
( ) mulher de Ambrósio, submissa e ingênua.
( ) noviço da Ordem de São Bento, sobrinho de Florência
( ) provinciana, primeira mulher de Ambrósio

A sequência correta é:

a) 1 – 3 – 4 – 2 – 5 – 6
b) 1 – 4 – 2 – 3 – 6 – 5
c) 4 – 6 – 1 – 2 – 5 – 3
d) 1 – 4 – 3 – 2 – 5 – 6
e) 4 – 3 – 1 – 2 – 5 – 6


6. (Carlos-2009) Sobre o Judas em sábado de Aleluia, é incorreto afirmar que:

a) a obra O Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena, é uma comédia de costumes, escrita no final do século XIX, contendo apenas um ato e doze cenas;
b) na peça, ele zomba dos costumes sociais do Rio de Janeiro do século XIX;
c) trata basicamente de um tema comum esboçado pelos autores românticos: das moças que buscam um noivo para si, bem como um reforço retratista da pequena burguesia: funcionários públicos, militares etc;
d) na peça fica patente a crítica de Martins Pena à sociedade hipócrita que semeia visões distorcidas daquilo que é em sua interioridade podre;
e) percebe-se a crítica à moral burguesa com os seus desejos e certezas. Fica clara ainda a figura da esperteza de José Pimenta.

7. (Carlos-2009) Sobre as personagens da obra O Judas em sábado de Aleluia, associe:

(1) José Pimenta
(2) Chiquinha
(3) Maricota
(4) Faustino
(5) Ambrósio
(6) Antônio Domingos

( ) filha de José Pimenta
( ) cabo-de-esquadra da Guarda Nacional
( ) empregado público
( ) possuía uma atitude mais sôfrega.
( ) velho negociante
( ) capitão da Guarda Nacional

A sequencia correta é:

a)   3 – 1 – 2 – 5 – 4 – 6
b)   4 – 1 – 3 – 2 – 6 - 5
c)   3 – 1 – 4 –6 – 2 - 5
d)   3 – 4 – 1 – 2 – 6 - 5
e)   3 – 1 – 4 – 2 – 6 - 5


8. (Carlos-2009) Sobre o enredo da peça O Judas em sábado de Aleluia, dê a soma das proposições:

(01) A história se desenrola na casa de Pimenta, cabo da guarda-nacional e pai de Maricota e Chiquinha. Estas duas moças, principalmente, Maricota sonham com o casamento. Sonho e desejo comum das jovens solteiras do século XIX. Para isso, resolveu namorar a tantos quanto pudesse. Isso permitiria a ela maiores oportunidades.

(02)     A história avoluma-se ou alcança um ponto inflexivo quando aparece a figura de Faustino à porta da casa para ter com Maricota. Faustino lamentoso, questiona o amor de Maricota por ele e afirma a infelicidade que habita a sua alma inquieta. Maricota diz que o ama.

(04)     De repente chega o capitão da Guarda Nacional, que é um dos pretensos namorados de Maricota. Faustino assume o disfarce de Judas, que alguns meninos preparam para o Sábado de Aleluia.

(08) Pimenta e Antônio especulam sobre um negócio escuso que estão praticando no porto. E temem. Faustino absorve todas estas informações. Os dois homens temem ser descobertos pela polícia. Isso propiciaria um destino infausto. Faustino, deitado, ensaia uma voz que parece ser da polícia.

(16) Pimenta e Antônio se atarantam. Finalmente, os três ficam juntos e entendem que algo misterioso se passava no interior daquela casa.
(32) Maricota se casa com Antônio (um velho). Suas intenções não graçam, não tomam vida. Ao cabo, Faustino beija o rosto de Pimenta, realizando o ato de Judas, o discípulo de Jesus, que o traiu com um beijo na face. Aqui o personagem ironiza e pede a mão de Chiquinha em casamento.

SOMA: ____

è Os melhores poemas de Murilo Mendes, de Martins Pena.

1. Vida e Obra

Murilo Mendes  (1901-1975) nasceu em Juiz de Fora (MG), onde fez os estudos secundários. Freqüentou o Curso de Direito, mas não terminou. Exerceu vários cargos antes de se mudar para Roma em 1957. Lá trabalhou como professor de cultura brasileira, ensinando em vários países da Europa. Seu nome foi recorrente durante anos nas crônicas literárias e européias.
Sempre foi um poeta fiel aos seus princípios, sem obedecer rigidamente a nenhum estilo, mesmo tendo sofrido influências doModernismo. O estranhamento que sua poesia provoca deve-se à linguagem fragmentada, às imagens insólitas, à simbologia própria que apresenta e a visão messiânica do mundo.
Murilo parte do princípio de que o mundo é o próprio caos para poder, a partir daí, recompor a ordem das coisas à sua visa surrealista. Desta forma, é desarticulando a ordem convencional, que o aproxima de Drummond, que o poeta assume o primeiro passo para reconquistar o paraíso perdido que, no dizer de Bosi (1994) “não terá o ar devoto de velhos ritualismos, mas se abre aos olhos do poeta como um universo aquecido pela Graça”.
Sua obra tem sido pouco lida nos últimos anos, mas isso não é motivo para desmerecer sua obra. É devido à difícil leitura, pois sua poesia é fruto das várias experiências do autor: sua conversão ao catolicismo, o surrealismo, a poesia social, o experimentalismo barroco e o neobarroquismo.
Murilo Mendes é “poeta de aderência ao ser, poeta cósmico e social que aceita a fruição dos valores primordiais” (Bosi, 1994:501). Lançou-se na literatura como poeta modernista, publicando inicialmente em revistas paulistas da década de 1920. Sua primeira obra, “Poemas”, só veio a público em 1930. Nela já transparecia traços que marcariam sua poesia futura: “a presença constante de metáforas e símbolos, a dilaceração do eu em conflito, a inclinação ao surrealismo e os contrastes: abstrato/concreto, lucidez/delírio, realidade/mito.
De contato com o Marxismo, escreveu “Bumba meu boi”, obra escrita em 1930, mas publicada só em 1959, que apresenta solidariedade com relação à classe operária. Em 1932, publicou “História do Brasil”, obra de cunho ufanista-irônico sobre nossa história. Depois publica “O Visionário”, obra mais complexa, envolta num clima onírico, com muitas sugestões surrealistas. Nesta obra, João Cabral de Melo Neto reconheceu dois ângulos: “a plasticidade – o espaço poético cheio de formas e imagens e a novidade – as relações insólitas que emergem do fluxo pré-consciente.

“A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas”.

(Metade Pássaro)

Tendo se convertido ao catolicismo, escreveu “Tempo e Eternidade” em parceria com Jorge de Lima, com intuito de “restaurar a poesia em Cristo”. Essa renovação da Literatura Cristã já vinha sendo trabalhada com outros poetas, como Augusto Frederico Schmidt, Vinícius de Morais e outros, com raízes neo-simbolistas francesas. Mas foi Murilo Mendes quem tomou a posição mais radical nessa manifestação literária aqui no Brasil: ele conciliou a “poesia religiosa com as contradições do eu, com a preocupação social e com o sobrenatural surrealista”. O poeta mostra uma visão particular de religiosidade, unindo senso prático de vida – democracia, erotismo e socialismo – à arte. Em sua visão religiosa de mundo, os opostos como finito/infinito, matéria/espírito, visível/invisível não se excluem, mas confundem-se no Corpo Místico – Deus – passando apenas por uma experiência terrestre.
Murilo não gostava de pertencer a grupos fechados. Foi por isso que buscou inspiração no formalismo clássico, culminando na publicação de “Contemplação de Ouro Preto” em 1940; trilhou em caminhos como o das experiências com a linguagem substantiva e concreta na década de 1950 quando vivia na Europa e iniciava-se no Brasil o Movimento Concretista.
Em seus principais livros, “A Poesia em Pânico”, “As Metamorfoses” e “Poesia-Liberdade”, o poeta
“objetiva a sua perplexidade em face de um mundo desconjuntado (sempre a obsessão do caos), que deve, porém, resgatar-se em vista dos valores absolutos: Eros e Liberdade”.
(Bosi, 1994:503)
É assim que ele acredita sacralizar todos os fenômenos de sua poesia: através da palavra, fazendo uma analogia ao Criacionismo.
A presença da figura feminina em sua poesia apresenta o mesmo contraste do universo bíblico: há momentos em que se opõe, noutros se unem às aspirações religiosas. Referente a isso, Bosi afirma que
“pode-se dizer mesmo que a tensão entre o profano e o sagrado, resolvida à força de rupturas ou de colagens violentas, dá significado último desse momento central da poesia muriliana” (Bosi, 1994:504).
Em suas últimas obras, “Siciliana”, “Tempo Espanhol” e “Convergência”, Murilo Mendes dá maior atenção às questões lingüísticas: neologismos, exploração dos sinais gráficos e do espaço da página, construção assintática e outros procedi,etos da pesquisa experimental lingüística. Nestas obras o poeta vai além da adesão ao Concretismo: elas constituem o fruto natural de todas as suas vivências e inquietudes diante da Poesia. Como ele mesmo diz numa entrevista: “procuro obedecer a uma lógica interna, de unidade, apesar dos contrastes, dilacerações e mudanças”.

2. Características

- Pertence à 2ª fase do Modernismo, poesia;
- Dilaceração do eu em conflitos;
- Presença constante de metáforas e símbolos;
- A inclinação para o surrealismo e os contrastes entre abstrato e concreto;
- Lucidez e delírio;
- Realidade e Mito;
- Conciliação entre a religiosidade e as contradições do eu (erotismo, democracia e socialismo);
- Preocupação social.

EXERCÍCIOS SOBRE A POESIA DE MURILO MENDES

Texto para as questões 1 e 2

Canção do exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil-réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
1 – Sobre o poema ao lado, afirma-se:

I – critica os costumes brasileiros e apresenta um eu lírico satisfeito com o exílio.
II – apresenta a dura realidade dos pobres que não têm dinheiro para alimentarem-se com dignidade.
III – é uma paródia de um famoso poema romântico de Gonçalves Dias.
IV – é, de certa forma, autobiográfico, pois Murilo Mendes passou muito tempo de sua vida vivendo fora do Brasil.
V – demonstra a fé de Murilo Mendes, católico praticante cujo projeto lírico era “restaurar a poesia em Cristo”.

Dentre as afirmações acima, estão corretas:
a) I e III
 b) II, IV e V
 c) III e IV
 d) I, II e V
 e) todas estão corretas

2 – Ainda sobre o poema Canção do Exílio, afirma-se:
I – Os versos iniciados por letra minúscula marcam o fato de estes invadirem os intervalos que os separam do verso anterior, tanto sintática quanto semanticamente.
II – o eu lírico critica os poetas que se apartam do mundo em “torres de ametista” sem perceber que integram o povo brasileiro.
III – apesar de reconhecer que há problemas em sua pátria, o eu lírico sente-se sufocado em terra estrangeira.

Dentre as afirmações acima, estão corretas:
a) I
b) I e II
c) I e III
d) II
e) I, II e III

3 – O livro de poemas em que Murilo Mendes se despede do Brasil, sobretudo de Minas Gerais, estado em que nasceu e cuja presença barroca do Aleijadinho influenciou-o profundamente, tem como título:

a) Poesia Liberdade
b) A poesia em pânico
c) As metamorfoses
d) Mundo enigma
e) Contemplação de Ouro Preto
Texto para a questão 4

O poeta na igreja

Entre a tua eternidade e o meu espírito
se balança o mundo das formas.
Não consigo ultrapassar a linha dos vitrais
pra repousar nos teus caminhos perfeitos.
Meu pensamento esbarra nos seios, nas coxas e ancas das mulheres,
pronto.
Estou aqui, nu, paralelo à tua vontade,
sitiado pelas imagens exteriores.
Todo o meu ser procura romper o seu próprio molde
em vão! noite do espírito
onde os círculos da minha vontade se esgotam.
Talhado pra eternidade das idéias
ai quem virá povoar o vazio da minha alma?

Vestidos suarentos, cabeças virando de repente,
pernas rompendo a penumbra, sovacos mornos,
seios decotados não me deixam ver a cruz.

Me desliguem do mundo das formas!

4 – Sobre o poema O poeta na igreja, afirma-se:

I – é modelo da poesia que tenta conciliar extremos, freqüente na obra de Murilo Mendes.
II – revela a espiritualidade do autor, cujo eu lírico, neste poema, demonstra sua inquietação diante de um mundo que o impede de alcançar a libertação das formas e a plenitude do espírito.
III – nele está presente a ginofilia (o apreço do autor pelas mulheres), das quais ele foi sempre um admirador.

Dentre as afirmações acima, estão corretas:
a) I
b) I e II
c) I e III
d) II
e) I, II e III

Texto para a questão 5

O padre de ferro

Este homem não entendeu
O caráter brasileiro
Quis deitar muita energia,
Acabou se dando mal.
Antes deixar como está
Para ver como é que fica!...

5 – Este poema pertence ao livro:

a) O visionário, em que Murilo Mendes revela sua fé católica e seus anseios religiosos.
b) História do Brasil, em que Murilo Mendes expressa-se originalmente com poemas-piada sutis ainda inspirados pelos modernistas de 1922.
c) Tempo e eternidade, em que Murilo Mendes critica os princípios cristãos expressando a efemeridade da vida.
d) As metamorfoses, em que o autor demonstra a instabilidade da personalidade humana e revela uma profunda crise existencial.

Texto para a questão 6

Pré-história

Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém:
Cai no álbum de retratos.

6 -Este poema é um claro exemplo de qual tendência, freqüente em Murilo Mendes:

a) barroca
b) metafísica
c) surrealista
d) musicista
e) cubista

Texto para a questão 7
Meninos

Sentado à soleira da porta
Menino triste
Que nunca leu Júlio Verne
Menino que não joga bilboquê
Menino das brotoejas e da tosse eterna

Contempla o menino rico na varanda
Rodando na bicicleta
O mar autônomo sem fim

É triste a luta das classes.

7 – Sobre este poema, afirma-se:
I – demonstra a fé de Murilo Mendes, católico praticante cujo projeto lírico era “restaurar a poesia em Cristo”, resgatando a compaixão pelo ser humano.
II – revela que o autor simpatizava com a causa das classes pobres.
III – é um bom modelo para comprovar o comprometimento político de Murilo Mendes e seu interesse pelas causas humanitárias.
IV – demonstra a compaixão de Murilo Mendes pelas crianças, motivada pela amargura de nunca ter conseguido ter um filho.

Dentre as afirmações acima, estão corretas:
a) I, II e III
b) II e IV
 c) III e IV
 d) I, II e IV
 e) todas estão corretas

8 - Leia com atenção o seguinte fragmento do "Poema Dialético", de Murilo Mendes, para responder a esta questão:


Todas as formas ainda se encontram em esboço,
Tudo vive em transformação:
Mas o universo marcha
Para a arquitetura perfeita.

Retiremos das árvores profanas
A vasta lira antiga:
Sua secreta música
Pertence ao ouvido e ao coração de todos.
Cada novo poeta que nasce
Acrescenta-lhe uma corda.


(MENDES, Murilo. "O menino experimental: antologia". Org. Affonso Romano de Sant'Anna. São Paulo: Summus, 1979. p. 103.)

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do poema:
a) O poeta, unindo tradição e modernidade, tem como matéria poética o universo, em seu estado de constante transformação.
b) Para se atingir a "arquitetura perfeita", o poeta só deve se inspirar nos princípios da poética clássica, restringindo-se às influências da "vasta lira antiga".
c) O eu poético defende a universalidade da poesia, sempre aberta às tendências do passado, do presente e do futuro.
d) O poeta manifesta-se atento à tendência transformadora das coisas e dos seres, em direção à "arquitetura perfeita".
e) Nos dois últimos versos, o poeta faz alusão à constante renovação criadora da poesia, numa convergência do novo com a tradição.

9 - Atente para o que diz Júlio C. Guimarães sobre o poeta Murilo Mendes:

Na forte presença de elementos ligados à visualidade na obra poética de Murilo Mendes, é possível estabelecer algumas distinções que se verificam fundamentais para o exame desta questão tal como aqui é proposto. De um lado, estão elementos puramente visuais, que naturalmente ocorrem de várias formas. De outro lado, está a visualidade configurada como linguagem, isto é, como artes visuais, ou artes plásticas, cuja presença se dá como referência, em diferentes graus, seja a determinada obra de arte, seja a determinado artista.

(GUIMARÃES, Júlio Castañon. "Territórios / conjunções: poesia e prosa críticas de Murilo Mendes". Rio de Janeiro: Imago, 1993. p. 63.)


Em todas as alternativas que se seguem são citados fragmentos da obra de Murilo Mendes que expressam essa tendência à visualidade a que se refere o crítico, expressiva da poesia crítica do poeta, EXCETO em:

a) "Mapa": 
Tudo é ritmo no cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria. (MENDES, 1979, p. 41.)
b) "Grafito para Sergei Eisenstein":
O horizonte do filme
Cresce, a consciência
Marcha em nós, mil, de
Partícipes imediatos, da Cooperativa que somos
Ou deveríamos ser,
De contrastes que portamosEm giro, visão & sangue. (MENDES, 1979, p. 131.)
c) "Fim":
Eu existo para assistir ao fim do mundo,
Eu existo para a visão beatífica. (MENDES, 1979, p. 90.)
d) "Texto de informação":
Tiro do bolso examino
Certas formas de gramática
de retórica
de poética
Considero-as na sua forma visual. (MENDES, 1979, p.135.)
e) "Pré-História":
Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Cai num álbum de retratos. (MENDES, 1979, p. 64.)